Museu de Garibaldi

Que está localizado no prédio onde funcionou a Sociedade de Mútuo Socorro ou Societta Di Muttuo Socorso em bom italiano, e que abrigou os primeiros imigrantes que falavam essa língua nesta encantadora cidade da Serra Gaúcha, a partir de 1878. Hoje transformado em museu dedicado a história desta gente e do herói que dá nome a cidade, o edifício recebia, hospedava e ajudava de forma cooperada, corajosos colonos na epopeia de derrubar o mato e erguer suas primitivas propriedades rurais. Com o nome de Stella D’Italia a instituição era composta por sócios que ajudavam uns aos outros, tendo como uma das tarefas socorrer e amparar os que se adoentavam, ou mesmo que viessem a falecer, incluindo apoio a familiares. Com o tempo passou a abrigar uma escola, um consulado italiano e até mesmo um hospital durante a primeira guerra mundial entre 1914 e 1918. Mas foi na segunda guerra (1939 a 1945) que teve seu pior momento com a invasão de suas instalações e depredação do patrimônio, em um conjunto de perseguições ao fascismo italiano (assim como ao nazismo alemão) que respingou na distante colônia sul-americana. A consequente doação do patrimônio ao governo italiano foi a saída encontrada pela diretoria de então, com o consequente término das atividades. Anos se passaram com usos diversos, até que a administração municipal solicitou à sua doação já na década de 60, com a condição de uso somente para atividades culturais. Foi assim que surgiu o museu na década de 80. Seu rico acervo além de mostrar móveis e utensílios utilizados pelos primeiros colonos, incluindo uma antiga cadeira de dentista, traz imagens da trajetória de Giuseppe e Anita Garibaldi e até mesmo um retrato detalhado de ambos. No andar de cima, o visitante tem ainda um rico acervo de documentos do arquivo municipal a disposição para pesquisas. Um lugar interessante onde a história não está somente nos objetos que simulam ambientes e vivências antigas, mas também nas suas paredes, na sua alma. Que nos brinda com uma trajetória de luta pela sobrevivência, de luta pela vida, e de luta por ideais que fizeram com que alguns chegassem a vias de fato, no mundo todo… E que hoje são apenas relevantes lembranças mas que podem nos ensinar muito…

Este museu faz parte do nosso passeio Garibaldi – Paisagens de cinema

O quarto sem janelas das moças.

A reprodução de um deles, pode ser visitado no Museu Antropológico Caldas Júnior em Santo Antônio da Patrulha. Pequeno e acanhado, com cama,armário e uma pequena santa para as orações, só possuía uma porta para ocorredor da casa. Estrategicamente disposta para afugentar curiosos olhares masculinos vindos de fora. Era assim, em tempos passados, que rígidos pais protegiam suas donzelas até que fosse a hora de contratar casamento. Mas é claro que outros ambientes de uma típica casa que abrigava imigrantes açorianos, são reproduzidos no museu. E belas peças como louças com delicados desenhos, completam o ambiente da sala de jantar. A cozinha com fogão a lenha também mostra vistoso conjunto de utensílios, e em outra sala, manequins com trajes típicos trazidos destas ilhas portuguesas, são acompanhados de mais objetos dos Açores. O museu mostra ainda a obra do homenageado, fundador do jornal Correio do Povo de Porto Alegre, que viveu ali entre 4 e 12 anos de idade com sua família. Antes disso, a casa erguida em 1820 pertenceu ao presidente da câmara de vereadores do município, que hospedou o imperador Dom Pero II em 1826.

Casa dos Rosa em Canoas

Foi com alguns trilhos de trem, provavelmente sobras da ferrovia que passava em frente, que foi possível estruturar com firmeza o segundo andar da casa que Antônio Rosa ergueu em Canoas, para o seu descanso. Na virada para o século XX, famílias abastadas como a dos Rosa, adquiriram quinhões de terra em forma de chácara, para merecidas férias em família.  A posição estratégica próxima à nova estrada de ferro, que ligava a capital gaúcha a colônia alemã em São Leopoldo, oferecia todo o conforto do moderno meio de transporte que tinha parada justamente ali em frente. A construção da Estação de Canoas, que é claro, merece uma postagem a parte, pois também foi recuperada é inclusive posterior à construção da casa. O rico comerciante porto-alegrense fez questão não só de ser um pioneiro, como também adquirir os terrenos à volta, apostando na futura urbanização e nos lucros que poderia obter. A residência é uma amostra interessante do estilo eclético, com telhados de inspiração bávara, e lambrequins de madeira ao melhor estilo da colônia italiana. Talvez influência do construtor contratado pelo proprietário, que era oriundo daquele país. Uma mostra com objetos e painéis que conta a história do lugar e da cidade preenche as salas e quartos dos dois andares. E é a atração junto com a área verde que oferece aos visitantes em meio a um grande centro urbano, uma ilha de natureza recheada de história…

Os habitantes do litoral

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Antes de chegar a agitação do verão, o litoral gaúcho é calmo cenário para se apreciar o que muitas vezes não conseguimos perceber, na colorida diversidade de corpos e guarda-sóis. Em um momento que somente alguns turistas e também os moradores fixos, caminham pela orla, é possível apreciar com mais atenção a sua surpreendente fauna. E foi neste clima que presenciamos em Atlântida, as já comuns Garças-brancas-pequenas e os Pirus-Pirus com seu marcante e cumprido bico vermelho. E de certa forma eles convivem pacificamente em um espaço generoso entre a areia e o mar, e ainda o dividem com outras espécies como o simbólico Quero-quero, que também veio curtir o mar. E quando a prosa da praia enveredar para intermináveis polêmicas e esquentar mais que o sol do verão, talvez se possa propor para “falar de coisas amenas” ou “falar de passarinho”. E se lembrar das imagens que mostramos pra ti, onde as aves litorâneas simplesmente seguem o seu dia em busca de algo para comer. Não se incomodando muito com quem está ao seu lado…

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As expressões do Cemitério da Santa Casa

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São rostos de anjos, e de personagens que fizeram a história do sul, uma das principais atrações deste lugar incrível. As estátuas esculpidas caprichosamente, estão espalhadas em meio à jazigos e mausoléus, alguns de belíssima e marcante arquitetura histórica. O lugar das moradas eternas costuma ser visitado por aqueles que lá deixaram seus entes mais próximos, mas também pode ser um lugar atraente à simples contemplação. Em várias partes do mundo são considerados como pontos turísticos e recebem visitantes dispostos não só a apreciar sua arte, mas também a história e cultura dos povos que os ergueram. E aqui não é diferente, pois entrar neste cemitério que é um dos mais antigos da capital, é mergulhar na trajetória da política e da economia do Rio Grande do Sul e do Brasil. Afinal, é lá que foram enterrados, membros de famílias de grande influência na geração de riqueza do sul, mas também humildes cidadãos que estão somente identificados com placas numeradas encravadas no gramado. Em uma ala mais distante da entrada principal. Gentes que testemunharam a história e suas mudanças, pacíficas ou não. Marcadas muitas vezes por personagens que desejaram a eternidade, tentando deixar seu legado nestas obras onde exprimem seus pensamentos. Como o fez, no verdadeiro monumento onde dorme em paz, Júlio de Castilhos, definido por alguns como patriarca do Rio Grande por governar com mão forte. É lá que está escrito “Os vivos serão sempre e cada vez mais, governados pelos mortos.”

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A senzala no porão.

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Que pode ser visitada em Triunfo, em uma das várias residências antigas da cidade. Praticamente original e inalterada de como era quando abrigava um número elevado de escravos por metro quadrado, que descansavam em condições precárias. E o local era mais baixo do que a altura de um homem, para evitar que alguém ficasse de pé e liderasse com palavras, uma revolta. Durante anos a fio, seres humanos da África aportaram em terras do sul e de grande parte do continente americano, não em busca de uma vida melhor como fizeram imigrantes portugueses, alemães, italianos e muitos outros. Mas como perdedores de uma guerra. Onde europeus venceram e os trouxeram como troféus, para que fizessem o trabalho que eles não queriam fazer. O trabalho braçal e pesado que exerciam sem poder questionar e muito menos prosperar, como pessoas. Afinal eram considerados tão somente como bens materiais, sendo comercializados como tal… Chamados inclusive de peças… E em cima do porão que servia para moradia de senhores que ditavam as regras do trabalho, passou a viver um religioso que em nome do amor, começou libertar estes africanos. Por fim, o prédio hoje é recheado de instrumentos da liberdade, pois há alguns anos é ocupado por uma biblioteca…

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A cascata na curva da estrada

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Não cansamos de mostrar as inúmeras e belas quedas d´água, que estão em todos os recantos do Rio Grande do Sul. Muitas delas estão escondidas em lugares de difícil acesso, outras estão em parques com cobrança de ingresso, mas uma parte delas é fácil de chegar e apreciar. É o caso desta na estrada de acesso ao pequeno município de Alto Feliz no Vale do rio Caí. Em uma curva da sinuosa estrada que é uma das subidas alternativas da serra gaúcha, este recanto surpreende os motoristas que não relutam em dar uma parada. Seja para tirar fotos, ou simplesmente para sentar nos bancos em suas proximidades e apreciá-la. Fruto de um córrego de pouco volume, sua vazão muitas vezes é precária, mas o espetáculo é garantido. Após o pequeno lago o curso segue por entre pedras e passa por debaixo da estrada, percorrendo o vale até desaguar no caudaloso Caí. Mais um cantinho fácil de conhecer… Dos muitos já desvendados e de outros tantos a mostrar…

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