O quarto sem janelas das moças.

A reprodução de um deles, pode ser visitado no Museu Antropológico Caldas Júnior em Santo Antônio da Patrulha. Pequeno e acanhado, com cama,armário e uma pequena santa para as orações, só possuía uma porta para ocorredor da casa. Estrategicamente disposta para afugentar curiosos olhares masculinos vindos de fora. Era assim, em tempos passados, que rígidos pais protegiam suas donzelas até que fosse a hora de contratar casamento. Mas é claro que outros ambientes de uma típica casa que abrigava imigrantes açorianos, são reproduzidos no museu. E belas peças como louças com delicados desenhos, completam o ambiente da sala de jantar. A cozinha com fogão a lenha também mostra vistoso conjunto de utensílios, e em outra sala, manequins com trajes típicos trazidos destas ilhas portuguesas, são acompanhados de mais objetos dos Açores. O museu mostra ainda a obra do homenageado, fundador do jornal Correio do Povo de Porto Alegre, que viveu ali entre 4 e 12 anos de idade com sua família. Antes disso, a casa erguida em 1820 pertenceu ao presidente da câmara de vereadores do município, que hospedou o imperador Dom Pero II em 1826.

Casa dos Rosa em Canoas

Foi com alguns trilhos de trem, provavelmente sobras da ferrovia que passava em frente, que foi possível estruturar com firmeza o segundo andar da casa que Antônio Rosa ergueu em Canoas, para o seu descanso. Na virada para o século XX, famílias abastadas como a dos Rosa, adquiriram quinhões de terra em forma de chácara, para merecidas férias em família.  A posição estratégica próxima à nova estrada de ferro, que ligava a capital gaúcha a colônia alemã em São Leopoldo, oferecia todo o conforto do moderno meio de transporte que tinha parada justamente ali em frente. A construção da Estação de Canoas, que é claro, merece uma postagem a parte, pois também foi recuperada é inclusive posterior à construção da casa. O rico comerciante porto-alegrense fez questão não só de ser um pioneiro, como também adquirir os terrenos à volta, apostando na futura urbanização e nos lucros que poderia obter. A residência é uma amostra interessante do estilo eclético, com telhados de inspiração bávara, e lambrequins de madeira ao melhor estilo da colônia italiana. Talvez influência do construtor contratado pelo proprietário, que era oriundo daquele país. Uma mostra com objetos e painéis que conta a história do lugar e da cidade preenche as salas e quartos dos dois andares. E é a atração junto com a área verde que oferece aos visitantes em meio a um grande centro urbano, uma ilha de natureza recheada de história…

Os habitantes do litoral

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Antes de chegar a agitação do verão, o litoral gaúcho é calmo cenário para se apreciar o que muitas vezes não conseguimos perceber, na colorida diversidade de corpos e guarda-sóis. Em um momento que somente alguns turistas e também os moradores fixos, caminham pela orla, é possível apreciar com mais atenção a sua surpreendente fauna. E foi neste clima que presenciamos em Atlântida, as já comuns Garças-brancas-pequenas e os Pirus-Pirus com seu marcante e cumprido bico vermelho. E de certa forma eles convivem pacificamente em um espaço generoso entre a areia e o mar, e ainda o dividem com outras espécies como o simbólico Quero-quero, que também veio curtir o mar. E quando a prosa da praia enveredar para intermináveis polêmicas e esquentar mais que o sol do verão, talvez se possa propor para “falar de coisas amenas” ou “falar de passarinho”. E se lembrar das imagens que mostramos pra ti, onde as aves litorâneas simplesmente seguem o seu dia em busca de algo para comer. Não se incomodando muito com quem está ao seu lado…

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As expressões do Cemitério da Santa Casa

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São rostos de anjos, e de personagens que fizeram a história do sul, uma das principais atrações deste lugar incrível. As estátuas esculpidas caprichosamente, estão espalhadas em meio à jazigos e mausoléus, alguns de belíssima e marcante arquitetura histórica. O lugar das moradas eternas costuma ser visitado por aqueles que lá deixaram seus entes mais próximos, mas também pode ser um lugar atraente à simples contemplação. Em várias partes do mundo são considerados como pontos turísticos e recebem visitantes dispostos não só a apreciar sua arte, mas também a história e cultura dos povos que os ergueram. E aqui não é diferente, pois entrar neste cemitério que é um dos mais antigos da capital, é mergulhar na trajetória da política e da economia do Rio Grande do Sul e do Brasil. Afinal, é lá que foram enterrados, membros de famílias de grande influência na geração de riqueza do sul, mas também humildes cidadãos que estão somente identificados com placas numeradas encravadas no gramado. Em uma ala mais distante da entrada principal. Gentes que testemunharam a história e suas mudanças, pacíficas ou não. Marcadas muitas vezes por personagens que desejaram a eternidade, tentando deixar seu legado nestas obras onde exprimem seus pensamentos. Como o fez, no verdadeiro monumento onde dorme em paz, Júlio de Castilhos, definido por alguns como patriarca do Rio Grande por governar com mão forte. É lá que está escrito “Os vivos serão sempre e cada vez mais, governados pelos mortos.”

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