Transporte de Verão

Fim de festa e volta às tranqueiras da capital… Depois de algumas na freeway…. Mas em 1970 um passageiro do avião que fazia o vôo Porto Alegre – Tramandaí – Capão da Canoa – Torres, deve ter imaginado, ao ver o encantamento de seu filho pequeno com a bela visão aérea das lagoas, do mar e da serra, que quando ele tivesse a sua idade isto seria comum. Pensou ainda, que no século XXI no “país do futuro” viajar de avião para a praia seria algo comum, e ainda de quebra haveria a opção dos barcos (como os que transportaram seus pais nos anos 40 pelas lagoas) ou ainda uma linha de trem, como os que embalaram seus sonhos de guri, rumo ao centro do país. Lendo as notícias do jornal sobre os preparativos para a copa do México, aquela do tri e de Pelé, poderia lembrar da copa que viu no país em 1950 e que talvez um dia voltasse a ser aqui. Quem sabe lá por 2014, com esta estrutura fantástica que se vislumbrava. Sem dúvida seu filho seria um privilegiado em morar em um país ou um estado como este. Mas o futuro chegou neste 2012, com seus carros modernos… e estradas nem tanto…. Enquanto ainda se sonha com o país do futuro, onde seja mais fácil mostrar ao visitante estrangeiro, suas belezas naturais.
Não acreditou na rota aérea para a praia? É só conferir na matéria do Correio: http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=152&Caderno=0&Noticia=397589

O prédio e o rio

Ainda o prédio do centro… Que ainda não caiu… Parece que agora a prefeitura vai intervir na edificação da esquina da Marchal Floriano com Riachuelo, e depois cobrar dos proprietários. E terá que fazer isso, para que suas paredes não caiam na cabeça de alguém…. Enquanto isso em outras páginas dos jornais, lê-se que será elaborado um plano para a bacia do Rio dos Sinos. O tal plano se fala há uns vinte anos… E que será cobrado o uso da água para arrecadar dinheiro… E que serão feitas obras que melhorem a sua qualidade, devolvendo-o assim, à população… Nesse meio tempo, alguns peixes já morreram e pesadores ficaram a míngua, mas pouco se avançou. Agora começa a faltar água com a seca que nos assola, e se volta a falar em plano. Mas tudo muda e no inverno podem vir às cheias e ameaça de inundações. E será dito que é preciso fazer novas obras, e alguém lembrará do plano… Seria bom que as coisas andassem, antes que se chegue a um ponto que chegou o prédio do centro histórico de Porto Alegre. Começando a desabar, e interditando ruas. Seja por parte da iniciativa privada (dona do prédio) seja pelo poder público e a sociedade (responsável por nossas águas), já passou da hora de olhar com mais carinho e responsabilidade, aquilo que nos cerca….

Três quedas

Bem distintas entre si, mas unidas pelo interesse deste blog…. E destaque no Correio do Povo.
Queda de temperatura em pleno verão caracterizando o clima da região noroeste do estado com o um clima de deserto. Foi em Santa Rosa onde a temperatura foi de 9 a 37 em um dia… E pensar que mais próximo de Porto Alegre o clima está mais para Amazônia, como falamos no em Bafos da Amazônia….
Este nosso sul é mesmo para louco… É assim que talvez alguém enxergue seu Jesse James Stringhini. O saltador profissional do passado, achou um lugar para uma outra queda. Nos nove metros de altura de uma ponte sobre o Rio Tramadaí, ele dá exemplo aos mais jovens de amor a saúde, ao esporte e a natureza. E quem sabe cria uma nova atração para valorizar outros locais próximo ao mar… O Correio falo mais em 
E do passado vem uma relíquia que pode ter um perigoso fim, com uma queda mais triste. Um prédio histórico de lindas linhas, pode não resistir ao tempo e tombar em uma movimentada esquina de Porto Alegre. Infelizmente, nem tudo dá para segurar… (ou podia ter dado?) Nunca esquecendo que o bairro, onde a Marechal Floriano e a Riachuelo sempre se encontraram e viram nascer, viver e morrer este prédio, recentemente passou a se chamar “Centro Histórico”…. Fotos do lugar em http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=392208
Mas o que pode ser sempre lembrado, é o velho ditado. “É preciso fazer da queda um passo de dança” Seja para se preocupar globalmente com o clima que tem mudado tanto….
Seja para valorizar belezas escondidas no nosso litoral….
Seja para se precaver da ação do tempo sobre bens públicos ou mesmo privados…. 

A fama de Pelotas

Os homossexuais vêm ganhando o respeito e a tolerância dos heteros (pelo menos de boa parte deles), além de negócios ao se feitio .E o turismo não ficou de fora. O festival Gay, que promete colorir de rosa o centro histórico de Pelotas no sábado à noite, parece estar pegando carona em sua histórica fama… Mas talvez faça jus a apenas uma parte desta turma. Isto se este grupo for considerado, como sendo formado por, além de transformistas, também indivíduos que sentem atraídos por outros do mesmo sexo, sejam homens ou mulheres. Segundo conta a lenda (pelo menos foi essa que ouvimos… ) a  fama remonta ao século XIX. Com a riqueza sustentada pelas charquedas e sua mão de obra escrava, muitos filhos de grandes empresários da época, iam buscar as luzes do conhecimento em Paris, voltando com algo mais na bagagem…. As roupas, enfeitadas com rendas e babados usadas também pelos homens, causou estranheza aqueles que vestiam a rudeza do couro nas lides duras do campo. Os bons modos que começaram a vigorar nos palacetes erguidos na cidade eram olhados como comportamento de moças, pelos gaúchos acostumados a seriedade da peleia. E a chacota livre, permitida e tolerada da época se espalhou pelo sul e além. A “cidade dos gays” para muitos, não necessariamente era de homossexuais, mas de homens afeminados, que pareciam ir na direção contrária da figura do bravo centauro dos pampas. Os tempos mudaram, a escravatura acabou, a sociedade evoluiu, e eles estão lá. E já que chegaram para a festa, bem que podiam olhar para as paredes dos casarões ao seu redor, para tentar entender como tudo começou…

Bafos da Amazônia

Pois quem diria que é de lá que vem o clima abafado destes dias de verão, segundo a Metsul. Com temperaturas mínimas iguais a de Manaus, Porto Alegre se sente com a umidade elevada. Se pensarmos que as frentes frias viajam desde a Argentina, e as cinzas de um vulcão desde o Chile, não fica difícil imaginar a “descida” da umidade pelo coração central da América do Sul. Talvez o nosso cantinho no mundo seja mesmo um encontro de climas e gentes, que enriquecem a nossa vivência. Se é que a gente fica mais “rico”, com esse clima doido… E abafado….

Empreendedorismos

Em Galópolis, distrito de Caxias do Sul…. Para quem já pensa na Festa da Uva que não tarda, estender o passeio até esta simpática comunidade encravada no meio das montanhas, pode trazer boas surpresas. É lá que está sendo erguido um centro cultural na casa onde residiu Hércules Galló. Este químico italiano, deixou o emprego na tecelagem F. G. Rheingantz para se estabelecer em um lugar chamado Profundo, na região de colonização italiana, no começo do século XX. Lá ele encontrou conterrâneos seus que aproveitaram as quedas d’água abundantes ali, para gerar energia e erguer uma tecelagem em forma de cooperativa. Eram imigrantes da região do Schio, que após uma mal sucedida greve na fábrica de tecidos onde trabalhavam vieram fazer a América, como muitos outros empreendedores. Mas seu sonho de união não foi longe, e com dificuldades comerciais, venderam o empreendimento para Galló que o reorganizou e prosperou. A vila operária com suas casas de tijolos lado a lado, é testemunha desta época, em que a tecelagem chegou a ser a maior do estado (uma imagem dela conferida na matéria do Correio doPovo). Mas as águas da cascata Véu da Noiva bem perto dali, continuaram caindo e testemunhando as mudanças do tempo, e os novos empreendedores e empreendimentos que foram surgindo. E em meio às exuberantes e impactantes encostas que margeiam a subida da BR 116 que corta a localidade, um novo exemplo de empreendedorismo, desta vez cultural, surge para homenagear um passado de trabalho…. Ao visitar este lugar (que merece mais comentários e imagens é claro) espera-se que possamos entender os sonhos nem sempre realizados como imaginados, destes lutadores. Dos grevistas do Schio, à família que deu nome ao lugar…

Porto Alegre Ontem e Hoje


São cinquenta anos entre uma imagem e outra…. A turma do Almanaque Gaúcho – Ricardo Chaves nos presenteou com a imagem em P&B da nossa capital no fim dos anos 50, feitas pelo fotógrafo José Abraham. No blog http://wp.clicrbs.com.br/almanaquegaucho/2012/02/03/porto-alegre-fim-dos-50/?topo=13,1,1,,,13 foram postadas informações sobre alguns pontos de referência que aparecem na foto antiga, e como eles estão hoje. A imagem atual não é uma foto aérea do mesmo local, mas uma simulação usando o Google Earth, com alguns prédios modelados em 3D. Talvez não esteja perfeito, mas mostra claramente o que mudou nestes 60 anos. O contraste entre uma romântica e calma cidade repleta de residências e árvores nos bairros centrais, e uma agitada metrópole cortada por avenidas e prédios retilíneos, é mais do que evidente. As casas e as água do Guaíba pareciam ter a época, uma relação mais íntima do que a de hoje, afastados por muros e prédios, com seus estacionamentos e afastamentos. Em um movimento contrário ao que aconteceu com os namorados, que de um passado de controle rígido de zelosos e moralistas pais, evoluiu para uma intimidade fácil, e liberdades antes impensáveis. Outros tempos em comportamento, outros tempos em ambiente urbano. A Porto Alegre da foto talvez não volte mais, pelo menos na realidade real. Mas quem sabe com a tecnologia que avança não podemos vislumbrar com a realidade virtual, a cidade de ontem? Trazer de novo a vida os prédios e ruas por onde andaram nossos antepassados? Talvez isso seja mais fácil do que voltar aos valores de outrora….