Cascata do Garapiá

Um lago de águas verdes e cristalinas é o que espera os que se aventuram até a Cascata do Garapiá em Maquiné. Mas não é preciso tanta ousadia para aproveitar este lugar mágico. Um veículo simples e disposição para enfrentar estradas de chão, com pedras pelo caminho é o suficiente. Além de uma pequena caminhada por trilha bem aberta. A ida até o local a partir da pequena zona urbana da sede do município é um passeio à parte. A rústica estrada que leva até o paraíso, rasga vales belíssimos com montanhas altas salpicadas por paredões verticais de pedra, rodeados da mais verde mata atlântica que se esparrama por toda a região. As paisagens reveladas a cada curva são estonteantes, e por vezes tocam o alma dos que reverenciam a natureza em seu estado mais puro. 
Mas o detalhe do percurso traz outras emoções nas constantes travessias pelos cursos dos rios Maquiné e Garapiá.  É comum atravessá-los em singelas pontes rasas, onde uma lâmina d’água transborda constantemente sobre o concreto. Sendo conveniente não se arriscar quando chove um pouco forte. Mas em dias calmos a visão da água cristalina destes riachos que correm sobre leitos de pedra são uma grata surpresa do trajeto. E o ápice das visões idílicas acaba sendo na pequena, mas belíssima queda que despenca de uma parede de pedras, formando um lago em que um intenso tom esverdeado predomina. A moldura formada por rica vegetação do entorno ajuda a criar um ambiente para uma contemplação sem pressa, ou mesmo para o banho em suas águas límpidas e frescas. Uma experiência fantástica para recarregar as energias, ou simplesmente se convencer que a natureza da região ainda pode nos dar muito mais… 

O Forte de Zeca Netto

Dizem que a casa de um homem é o seu castelo. Pode ser. Mas e de um homem de guerra, de luta e ao mesmo tempo um caudilho político, poderia ser um forte?  Pois assim é conhecida a casa do General  Zeca Netto em Camaquã, hoje utilizada para fins mais pacíficos. Com sua construção terminada em 1904 era o lar do importante intendente e líder maragato, que do alto da colina dominava a região e protegia-se dos inimigos. Eram anos de revoltas, e foi de lá que o morador ilustre, no alto de seus 72 anos de idade, juntou um grupo de comandados para, no lombo de cavalos, tomar Pelotas na Revolução de 1923. O poder do Camaquense na então segunda maior cidade do Rio Grande do Sul, durou não mais do que 6 horas da última das três guerras gaúchas, que se estendeu por 11 meses daquele ano. Os posteriores tempos de paz deram suas surras no prédio, que padeceu com o abandono.  Mas o restauro veio e hoje é possível visitar e apreciar seu jardim interno em estilo espanhol, a Biblioteca Barbosa Lessa, o museu e o memorial dedicado ao antigo proprietário. O lenço vermelho, característico de sua facção política, e a bandeira da “liberdade ou morte” empunhada quando da sua ousada epopeia revolucionária, estão à espera dos que quiserem conhecer este interessante personagem. Que em idade de se aposentar, saiu de seu protegido forte para lutar por seus ideais.

 

Uma baleia no Museu

Até barcos foram mobilizados para tentar desencalhar uma baleia jubarte, na beira do mar de Capão Novo em 2010. E conseguiram… Mas, muito ferida, acabou retornando suas 25 toneladas um dia depois, às proximidades da areia de onde não saiu mais viva. Em seu caminho da Antártida, às águas quentes do norte do Brasil onde se reproduz, acabou por se perder chegando à costa gaúcha, onde iniciou o descanso eterno de seu esqueleto. Que agora pode ser visitado em Imbé.  Com muitas informações interessantes, o Museu de Ciências Naturais, vinculado ao Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR), é agora sua morada para desfrute dos que escolhem este belo programa praiano.  Muito bem montado ao lado de animais empalhados, o conjunto de seus ossos dá a exata ideia do seu tamanho, muito maior que um veículo de passeio. Apreciá-lo faz entender um pouco mais da imensa diversidade que navega nos mares do sul. Mas não é só da água salgada que vem as  coleções do lugar. O ambiente litorâneo um pouco mais longe da faixa de areia é desvendado em sua fauna, flora, geografia e história geológica. Lá se pode conhecer um pouco mais da rica fauna da mata atlântica, que convive lado a lado com uma planície recheada por um verdadeiro colar de lagoas de água doce. E ainda alguns rios e lagunas que chegam até o oceano. A evolução natural da região ao longo dos milhões de anos do nosso planeta, também se faz presente trazendo inclusive os restos mortais de animais que morreram muito antes da baleia deste novo século. Como é o caso do tigre de dente de sabre, e outros contemporâneos dos dinossauros. Um lugar para aprender, e entender o contexto de uma região do sul, simplesmente fantástica. 

Deserto à Beira-Mar

No litoral norte gaúcho, além dos agitados balneários, há muito mais mar. E areia. A paisagem em locais afastados como entre as urbanizadas Tramandaí e Cidreira, remete a um ambiente de amplitude e belas paisagens aos que estendem o olhar para além da estrada a percorrer. O misto de dunas e vegetação que chega até às proximidades da água, proporciona um cenário todo peculiar que as ruas e casas esconderam em boa parte da região, ao longo dos anos. O não muito comum tom esverdeado esverdeado das águas marítimas destes últimos dias, ajuda a compor o visual e tornam a jornada muito mais agradável. E é claro que as altas dunas formadas por somente areia, estão ali perto, e as imagens delas ficarão para uma próxima…

Sol da tarde na Guarita


É preciso subir um punhado de degraus da elevação mais ao sul, para apreciar a torre central que alguém um dia comparou às casinhas de salva-vidas que preenchem as areias do litoral. E a luz da tarde valoriza ainda amais esta singular e bela formação geológica, localizada em Torres. Apreciar a vista lá de cima é uma experiência que não se reduz às demais torres do parque, ou mesmo os prédios da cidade logo após o morro do farol. Ao se girar o olhar em direção ao sul, descortina-se a vista da longa linha retilínea da praia a se perder de vista. Além das dunas ao longe na direção do poente. Uma diversidade de paisagens e imagens, que encanta mesmo os que preferem se prender ao nível do mar. Um lugar para ser visitado várias vezes, pois ainda há muito mais para mostrar…

Belas pinturas na Igreja de San Pellegrino

Ninguém sabe quando e se tudo isso vai terminar… Apesar de que cada um terá sua hora. Mas a ideia do fim dos tempos já foi retratada e descrita por muitas culturas, principalmente em suas manifestações religiosas. Na Igreja de San Pellegrino em Caxias do Sul, o magnífico traço do pintor italiano Aldo Locatelli, preencheu com figuras significativas, uma parte do teto da nave principal. Para formar uma visão sua do julgamento final por parte do todo-poderoso, conforme descrito na bíblia. Mas sua arte vai além do painel principal. Ao redor destes personagens de marcantes expressões, está ainda a compor todo o espaço, 36 quadros que ilustram os versos do hino latino “O dia da ira” ou “o dia do juízo final”. Alguns destes com 2×2 metros de largura podem ser vistos rodeando a pintura principal em cima do altar, com o resto se estendendo por toda a parte superior. Não se sabe se no mundo todo existe outra representação destas estrofes através de uma pintura. A igreja tem muito mais em arte em suas paredes. E a arquitetura do seu prédio com sua torre esbelta e branca se destacam na paisagem urbana. Um lugar para apreciar, refletir, orar, admirar. E é claro mostrar mais e falar mais sobre ele. Muito mais….