Frente a Frente

A fé e a religiosidade sempre fizeram parte do desenvolvimento das comunidades, e no sul não foi diferente. O catolicismo foi dominante na América do Sul, preenchendo os vazios espirituais dos novos habitantes de diferentes origens. Mas a reforma proposta por Lutero que completará 500 anos em 2017 fez surgir importante divisão que se espalhou, principalmente na região de imigração alemã. E a busca pelos fiéis da colônia, levou a uma espécie de rivalidade entre os grupos de cada religião, que se refletiu na construção de suas igrejas. Em Taquara, as duas belas construções simbólicas de cada fé estão, ainda por cima, uma de frente a outra. Cada uma com sua história, elas têm em comum o doador do terreno onde foram erguidas. O porto-alegrense Tristão José Monteiro era o dono da sesmaria que deu origem à Colônia do Mundo Novo, formada pelas atuais: Taquara, Igrejinha e Três Corôas. Católico com família originada de Osório, em uma segunda união casou-se com a evangélica e alemã de Hamburgo, Christina Haubert com quem teve 9 de sues 17 filhos com 4 mulheres. Talvez esta união entre duas nacionalidades e religiões, tenha permitido a pacífica vizinhança…

Simbólicas Hortênsias

Dizer que o icônico Lago Negro é um cartão postal de Gramado, é uma verdadeira obviedade há muitos anos. Desde os tempos em que só se mandava notícias em meio a uma viajem, por meio destas belas fotos com seu espaço nas costas para breves mensagens. E quem invariavelmente acompanhava suas águas escuras nestas imagens eram as simbólicas e simpáticas hortênsias. Com seu formato de bola em tons do azulado ao rosado, eternamente serão símbolos deste principal centro turístico do país, mesmo que muito mais espécies ajudem a embelezar a cidade. A parca luz do sol de fim de tarde a bater por arbustos repletos de seu encanto, despencando sobre a margem, dá o tom para uma caminhada pelo urbanizado entorno do lago. Que convida vez que outra, a uma parada para refletir sobre a vida, ou mesmo descansar das inúmeras outras atrações que foram ocupando espaço no agitado lugar…


Museu do Carvão em Arroio dos Ratos

Foi notícia no mundo inteiro, quando 33 trabalhadores chilenos ficaram presos no subsolo de uma mina de cobre no Chile, em 2010. O drama deles comoveu pelo ineditismo neste novo século, e por expor ao público as agruras desta importante atividade. Principalmente quando realizada abaixo da terra, método com tendência a ser substituído pela mineração a céu aberto. Pois em Arroio dos Ratos já foi igual ao vizinho país sul-americano. Desde o século XIX, este escuro mineral era retirado das profundezas para gerar a energia necessária a iniciante industrialização do sul, e para mover os trens repletos de gentes e mercadorias a cruzarem o pampa. Mas queimar o carvão com o intuito de gerar eletricidade, passou a ser alternativa à região, com a instalação da companhia que ergueu um prédio industrial para este fim, em 1924. Mas que o abandona em 1956 com o fim da atividade, tornando ruína uma parte de sua estrutura, eque hoje recebe os que apenas imaginam como seria esta arriscada atividade.



No lugar, é possível ver o que sobrou das estruturas subterrâneas que retiravam a riqueza, que ainda existe em abundância na região. O Museu do Carvão no prédio que restou mais inteiro, traz ainda um vasto acervo de peças da termelétrica que ali funcionava, incluindo instrumentos de operação e segurança dos trabalhadores, que se aventuravam como verdadeiros tatus em um mundo escuro e inóspito.





Pertencente ao Estado do Rio Grande do Sul passa por dificuldades em um cenário cheio de incertezas. Mas o acervo, a história e a ampla área ao seu redor, podem muito mais. E merecem nossa atenção e mais investimentos, sejam eles públicos, privados, ou mesmo uma parceria dos dois. Para que ao valorizarmos este passado, possamos entender o presente e criar o que está por vir…





Luzes de Garibaldi

A cena clássica da noite caindo com o acender das primeiras luzes, certamente já inspirou muitos… É sempre um momento especial que pode transmitir a paz do fim da correria, ou mesmo a expectativa da música, da conversa, da companhia. Do romance. Garibaldi talvez tenha pensado nisso quando implantou um aconchegante conjunto de luminárias de rua com um inconfundível estilo antigo muito bem pesquisado. Nada mais adequado para completar a atmosfera de seu belo centro histórico. As curvas da Rua Buarque de Macedo ganharam além dos postes de ferro com as luzes, novas e largas calçadas onde caminhar sem pressa é imperativo para poder olhar a cada passada os artísticos detalhes de seus prédios centenários, quase todos bem preservados. Os rostos humanos e suas expressões e enfeites, esculpidas em muitas fachadas, merecem a luz do sol e uma maior atenção que ainda daremos. Mas às novas luminárias, com seu tom amarelo escuro, ao se acenderem nas primeiras horas da penumbra, fornecem o quadro perfeito para deixar-se levar pelos próprios sonhos. 


Biguá

Um mar com menos banhistas neste novembro ainda não tão quente, é convidativo ao passeio das aves que cada vez mais frequentam o litoral gaúcho. Em Atlântida, o pescoço de um Biguá estava à mostra nas fracas ondas onde se molha só abaixo dos joelhos. A fome bateu e o peixe está no fundo? Então basta mergulhar para pegá-lo. Para esta simpática ave também conhecida por mergulhão fica mais fácil, pois suas penas se encharcam tanto, que não fica ar entre elas facilitando a submersão. E ele fica bom tempo por baixo aparecendo sempre um pouco mais adiante, enganando quem quer apreciar a cena ou fazer um singelo vídeo. Nosso retilíneo litoral tem muita surpresa pra mostrar.

As Nereidas de Pelotas e da Escócia

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As dezenas de filhas do Deus Nereu senhor dos mares, espalhavam sua beleza por oceanos sem fim, por vezes a cavalgar mitológicas e misteriosas criaturas marinhas. A magia das Nereidas como ficaram estas belas conhecidas, foi perfeita inspiração para a criação de uma bem elaborada fonte de água, por um artista francês. Mostrada na exposição internacional de Londres em 1862, foi replicada em ferro fundido na vizinha Escócia e na distante América do Sul. A Ross Fountain enfeita um amplo parque central ao lado de um tradicional castelo de Edinburgo, e sua irmã centraliza a Praça Coronel Pedro Osório no coração de Pelotas. Em ambas, as delicadas figuras femininas que se sobressaem na parte mais alta do monumento, trazem objetos que representam a ciência, a arte, a poesia e a indústria. Sua nobre função de abastecer com água a população que pagava por cada litro dali retirado mesmo a noite a luz de candelabros, começou com sua inauguração em 1873. Era a modernidade que chegava, pela iniciativa da companhia hidráulica local, substituindo um antigo pelourinho onde escravos eram açoitados já havia mais de 40 anos. Outras três fontes foram instaladas na cidade, como a que existiu em frente à Catedral, e que permanece misteriosamente desaparecida. A versão escocesa da Fonte das Nereidas inaugurada uma ano antes, foi adquirida por um fabricante de armas que a doou a cidade, e possui exatamente as mesmas figuras da parte central. Mas não tem as irmãs montadas em garbosos cavalos, ou mesmo as salientes luminárias, que circundam a beira do lago formado pela fonte sulista. A delicada beleza deste monumento é mais um exemplo de que temos riquezas por vezes comparáveis e até mesmo superiores, ao que existe em outros lugares mais visitados.
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