A vida do Gravataí

Nas andanças das redes sociais, eis que surge algo para seguir no assunto rios. É claro que o Gravataí pode mais. Mas quem o conhece? É uma das perguntas do documentário cujo trailer anexamos a este (ou que pode ser visto aqui). De qualquer forma, para os menos avisados, logo depois do Aeroporto de Porto Alegre saindo da cidade na BR116, se passa por cima dele. Um olhada para o lado e se vislumbra uma bela vista de águas sujas enfeitadas com alguns barcos perdidos…. Na direção da praia também se cruza por ele, e tem até uma placa indicando. E a paisagem é mais verde. Alguém viu no meio da tranqueira? Piadas (ou não) a parte, a verdade é que ele está lá, correndo todos os dias e abastecendo os que viajam, ou não. Mas para conhecer mesmo o que está perto de muitos, só conferindo o documentário a partir de agosto. Ou claro, encarando uma aventura….

Estrada Rio Taquari

A dupla lagarteia no sol enquanto o navio não chega, no porto de Estrela. O movimento diminuiu ao ponto de ser a metade do que já foi, há 30 anos. Para aproveitar a “estrada” de nossos antepassados, a construção dos anos 70 às margens do rio Taquari, pretendia ser mais uma alternativa para escoar a produção de soja e outros grãos. Pois as ondas da globalização mexeram com a balança comercial, e a pretensão agora, é adapta-lo ao uso de contâiners. Mas bem que um terminal turístico (se for tecnicamente viável) cairia bem, para ampliar as potencialidades. Um passeio ligando a capital e a região, teria como um atrativo a mais um “elevador de barcos”. Isso mesmo. Para quem não sabe, em Bom Retiro do Sul (20 km  rio abaixo) uma eclusa permite que embarcações de maior calado possam avançar dentro do estado. Uma interessante obra de engenharia, mas que para ser visitada ainda precisa de mais infra-estrutura… Pelo menos é o que se percebeu em rápida passada, onde o tempo (nos dois sentidos) não permitiu um melhor registro.

É preciso mais (também era preciso em 1824)

Fecharam a Casa do Imigrante. Antes que a infiltração causasse danos mais sérios. E para uma boa reforma precisa R$ 200 mil. Estivemos lá há dois anos e podemos conferir seu rico acervo, e empenho de quem ajuda (ou ajudava) a mantê-la. (veja aqui o post original). Naquele julho ela ficaria mais tempo aberta, mas agora…. Bem, é preciso mais médicos, e mais postos de saúde e mais escolas e mais professores (bem pagos também). Mas para o bem da nossa história, e por que não da educação, bem que podia sobrar umas migalhas para este cantinho de São Leopoldo que ajuda a lembrar uma saga. Sem tirar o mérito dos manifestantes de hoje, sempre é bom lembrar que os tempos já foram bem mais bicudos. Não havia Facebook em 1824, mas dá para imaginar como seria:


A primeira noite na casa da Feitoria não foi nada agradável. Dormimos no chão batido um ao lado do outro, formando uma longa fila de corpos estirados. Coube a mim um lugar próximo ao homem que vinha conversando empolgado com Helmuth no barco. Passei a noite inteira em vigília, temendo que ele tentasse se aproveitar da situação.

Mas o dia amanheceu, e saímos para conhecer nosso lote. Ou nosso mato. Pois assim é o lugar que ficaremos. Um emaranhado de vegetação diversa. A mesma que me encantou nas margens do rio, agora já não me pareceu tão bela. O entrelaçar de folhas, troncos e cipós, está mais próximos de um inferno verde. Um verde muito diferente dos saudosos vales que deixamos do outro lado do oceano. Vencer isto, e daqui tirar nosso sustento me parece algo impossível.

Podia ser pior….

Bem pior… O fogo que consumiu o velho e resistente Mercado Público de Porto Alegre, até que não fez tantos estragos assim… O avô dos shoppings, com sua charmosa coloração amarela, seus inconfundíveis cheiros, e claro suas histórias verdadeiras ou ficcionais, mais uma vez vergou (ou ardeu) e não tombou. Coração de Porto Alegre para muitos, não é a primeira vez que queima. Mas desta vez, em pleno século XXI das seguranças e tecnologias e comunicações, e neste ano de um trágico incêndio no centro do estado, a chiadeira posterior será grande. Faltou atenção das autoridades, o plano de incêndio estava vencido, os bombeiros não estão equipados… Vai dar muito pano pra manga. Mas poderia ser pior… É claro. E quase foi. No começo dos anos 70, a cidade que hoje chora a doença do velho, quis tirá-lo da frente, para a moderna avenida passar. Como sempre não houve unanimidade. E em um período “mais silencioso”, a “chiadeira” foi para salvá-lo. E obteve sucesso. E depois ele foi revitalizado, e valorizado, e… Pode muito mais. Afinal, se chegou até aqui…