Uma impressionante vista da Serra Gaúcha

Do alto do Morro Felskopf (Cabeça de Pedra) na bela cidade de Morro Reuter, se descortina uma paisagem magnífica. Um lugar que convida a uma parada sem pressa, principalmente aos que começarão a subir a serra nos meses do frio. É preciso encarar uma pequena subida em estrada de chão acessível a partir da BR 116, mas vale a pena. De lá se vislumbra simplesmente a totalidade da zona urbana da cidade, bem aos pés de um mirante bem estruturado. Também se enxerga um pouco mais adiante a totalidade de Dois Irmãos e as duas elevações que dão nome a este município, que assim como Morro Reuter, possui fortes características germânicas. Mas há mais, principalmente ao seguir o olhar na direção sul. Atrás dos montes é possível vislumbrar, São Leopoldo, Novo Hamburgo e até mesmo Porto Alegre em dias mais claros. Na direção leste e norte, pode-se ainda identificar a subida da serra e o intenso verde da mata nativa. Um lugar encantador, para apreciar a grandiosidade da natureza. Mas também para ver o emaranhado das ruas e casas construído pelas gentes, que lá de cima ficam muito pequenos…

Morro Reuter
Dois Irmãos

A antiga estação ferroviária de Canoas

Este belo prédio é mais um exemplo de utilização do patrimônio ferroviário, para fins culturais. A antiga estação fazia parte da linha que ligava Porto Alegre a Novo Hamburgo e foi inaugurada em 1934, substituindo a anterior que deu origem ao vilarejo. Com o nome inicial de Capão das Canoas, a região foi local de veraneio de famílias da capital no princípio do século XX, e era atendida por até oito trens diários aos domingos. Com as modificações da modernidade e o crescimento da cidade, os trilhos passaram a receber o trem metropolitano com suas novas estações e estruturas. Mas o velho prédio segue lá, em meio à agitação dos dias atuais. Bem conservado, possui um pequeno auditório que acolhe espetáculos artísticos, bem como generosos espaços para ensaios de grupos locais de música e teatro. Mas o mais interessante é a homenagem feita através de um busto ao engenheiro responsável pela obra, Fioravante Milanez. No seu pedestal há uma placa explicando que a obra inicialmente orçada em aproximadamente 83 contos de reis, foi executada usando somente 78 contos. E os cinco que sobraram foram devolvidos aos cofres públicos…

Nossa Senhora do Caravaggio em toda a Serra Gaúcha

Por que ela não está presente apenas em seu belíssimo santuário em Farroupilha onde todo dia 26 de maio ocorre uma numerosa procissão. São dezenas de outras capelas e imagens em homenagem a esta santa espalhadas principalmente na região de colonização italiana do Rio Grande do Sul. Como esta bela pintura da Igreja Santo Antônio de Bento Gonçalves. Mas ela está principalmente nos corações de seus fervorosos devotos que rezam a ela pedindo forças para seguir em frente, construindo a sua prosperidade, mas também sua paz. Da mesma forma que fizeram seus antepassados nestas íngremes montanhas desde 1875, e na saudosa Itália quando a mesma nem sequer era unificada. Pois foi no dia que hoje é dedicado a ela, que em 1432 na Caravaggio italiana, Nossa Senhora apareceu, segundo a crença, à uma mulher. E ela teria levado a paz não só a família da devota, como também ao Ducado de Milão e à República de Veneza que brigavam pela posse da região. E seja no santuário ou em qualquer outro lugar onde ela está, é muito provável que os modernos fiéis deste novo século estejam rezando para que suas famílias, suas comunidades e suas nações, busquem com fé o caminho da paz e da prosperidade. O mundo agradece…

Um Museu da Imigração Italiana em Caxias do Sul

Ainda no embalo destes lugares que contam muitas histórias, não tem como não falar mais uma vez do Museu Casa de Pedra. Que no coração da região italiana da Serra Gaúcha. Em meio à agitação desta grande cidade, a construção remonta aos primeiros anos da chegada desta gente corajosa à América, que se iniciou em maio de 1875, mais precisamente no dia 20. E foi uma família vinda do Vêneto italiano, os Luchese, que ergueu esta casa empilhando pedras do Arroio Tega com a técnica de encaixe conhecida como taipa. Até a começo do século XX, a utilizaram para moradia, e posteriormente a venderem aos Brunetto que construíram uma casa de madeira ao lado, deixando a de pedra como matadouro de porcos. Isto até 1946, quando os Tomasoni passam a ser os novos donos alugando-a então para diversos fins comerciais. Finalmente, em 1975 com as comemorações do centenário da imigração, é inaugurado o museu que mostra os diferentes ambientes de moradia. Nele estão incluídos a cozinha, a sala de jantar e um quarto principal no segundo andar. Entrar em seu ambiente é muito mais do que visitar um conjunto de peças que ajudam a contar a saga de seus moradores. É literalmente estar dentro e sentir-se parte, desta grande aventura… Parabéns a todos os descendentes pela passagem do aniversário da imigração!

A Noite dos Museus

É neste sábado, em Porto Alegre, que a arte e a cultura estarão presentes para atrair e embalar os visitantes dos acervos de 14 museus da cidade. Será uma noitada e tanto! Se puder, vá a todos! Mas tu já sabes que os históricos são o nosso principal assunto. E se tu não os conheces, vais te surpreender com os cenários com figuras humanas do Centro Histórico Cultural da Santa Casa que contam a trajetória desta instituição de saúde, além da interessante história da roda dos expostos. Uma imersão maior na história do Rio Grande do Sul se dá no Museu Júlio de Castilhos que reproduz a moradia deste importante político, além de mostrar objetos indígenas, missioneiros, carruagens e até mesmo canhões. No Museu Joaquim José Felizardo a história da capital gaúcha é retratada dando ênfase ao próprio prédio onde se localiza, um importante solar pioneiro na cidade… Mas se tu queres conhecer a história de forma cronológica, o Memorial do Rio Grande do Sul é o lugar certo, pois uma série de painéis relata os principais acontecimentos do estado. Todos eles estarão recebendo variadas atrações musicais entre as 19 hs deste sábado e 1 h de domingo. Um programa único! Vamos juntos?

Para saber mais sobre a programação, acessa a página do evento no Facebook neste link aqui.

E veja nos links abaixo o que já falamos sobre estes lugares:

Centro Histórico Cultural da Santa Casa

Museu Júlio de Castilhos

Museu Joaquim José Felizardo

Memorial do Rio Grande do Sul

Muitos museus para serem visitados na sua semana!

Na semana dedicada a eles, nunca é demais repetir que existem muitos espaços não virtuais para que se aprenda sempre um pouco mais, de forma prática e agradável. E os históricos que temos dado destaque aqui, nos revelam o que foi o nosso passado para melhorarmos nossa visão do presente, e construirmos um futuro melhor. São mais de 468 no nosso Rio Grande do Sul, segundo o site http://www.museus.gov.br. Nós mostramos poucas dezenas e temos muito mais a pesquisar e divulgar. Sempre colocando aqui no blog, onde podes colocar a palavra museus na busca e ver o que já visitamos… E te convidamos para fazer o mesmo, não só através da internet onde seus acervos têm sido mostrado regularmente (e tu podes pesquisar aqui no blog usando a palavra museu na busca). Mas no mundo real. Ver o que tem neles. Aprender algo neles. Se tu pagares ingresso para entrar em um deles, tu vais ajudar ele a ser mantido. Se tu conheceres um de entrada gratuita (e há muitos) e deixares a tua assinatura no famoso livrinho (nunca esqueças de assiná-lo), haverá mais motivos para que se direcionem recursos para eles! Afinal, existem muitos profissionais dedicados a conservá-los e promovê-los. Faz a tua parte. E se defenderes a sua existência e te disserem que as “pessoas não se interessam por isso”, responda que tu és uma pessoa! E se interessa. Ah.. E não te esqueces que nos nossos passeios sempre tem um museu….

Uma corajosa mãe chamada Anna Rech

Era muito corajosa esta italiana de Peda Vena, para sair de sua terra natal e atravessar o oceano no rumo do novo mundo, aos 48 anos, viúva e com 8 filhos. Pois Anna Maria Pauletti Rech, tomou esta iniciativa em 1876, da mesma forma que fizeram outros imigrantes deste país europeu. Em sua nova vida na América se estabeleceu no então Campo dos Bugres a beira de uma estrada por onde passavam tropeiros em sua jornada entre o Pampa gaúcho e o centro do Brasil. E em meio a dedicação à prole passou a achar tempo para ajudar estes intrépidos viajantes, oferecendo comida e pousada. Com o passara dos anos, estes agradecidos viajantes a estimularam na ampliação da já então conhecida Casa de Anna Rech, e a prosperidade passou a fazer parte de sua vida. E como uma mãe cujo coração sempre pode ser maior, a riqueza material que foi adquirindo acabou em parte transformada em generosas obras para a sua comunidade. A doação do terreno para a igreja onde uma estátua sua está à frente da imagem de Nossa Senhora do Caravaggio foi uma delas… E os agradecidos cidadãos não podiam fazer diferente ao batizar este importante distrito de Caxias do Sul, com o nome de Ana Rech. A mãe de muitos filhos, viajantes e compatriotas de imigração, que com certeza em muito contribuiu para o crescimento de uma região belíssima e próspera…