Um Museu da Imigração Italiana em Caxias do Sul

Ainda no embalo destes lugares que contam muitas histórias, não tem como não falar mais uma vez do Museu Casa de Pedra. Que no coração da região italiana da Serra Gaúcha. Em meio à agitação desta grande cidade, a construção remonta aos primeiros anos da chegada desta gente corajosa à América, que se iniciou em maio de 1875, mais precisamente no dia 20. E foi uma família vinda do Vêneto italiano, os Luchese, que ergueu esta casa empilhando pedras do Arroio Tega com a técnica de encaixe conhecida como taipa. Até a começo do século XX, a utilizaram para moradia, e posteriormente a venderem aos Brunetto que construíram uma casa de madeira ao lado, deixando a de pedra como matadouro de porcos. Isto até 1946, quando os Tomasoni passam a ser os novos donos alugando-a então para diversos fins comerciais. Finalmente, em 1975 com as comemorações do centenário da imigração, é inaugurado o museu que mostra os diferentes ambientes de moradia. Nele estão incluídos a cozinha, a sala de jantar e um quarto principal no segundo andar. Entrar em seu ambiente é muito mais do que visitar um conjunto de peças que ajudam a contar a saga de seus moradores. É literalmente estar dentro e sentir-se parte, desta grande aventura… Parabéns a todos os descendentes pela passagem do aniversário da imigração!

A Noite dos Museus

É neste sábado, em Porto Alegre, que a arte e a cultura estarão presentes para atrair e embalar os visitantes dos acervos de 14 museus da cidade. Será uma noitada e tanto! Se puder, vá a todos! Mas tu já sabes que os históricos são o nosso principal assunto. E se tu não os conheces, vais te surpreender com os cenários com figuras humanas do Centro Histórico Cultural da Santa Casa que contam a trajetória desta instituição de saúde, além da interessante história da roda dos expostos. Uma imersão maior na história do Rio Grande do Sul se dá no Museu Júlio de Castilhos que reproduz a moradia deste importante político, além de mostrar objetos indígenas, missioneiros, carruagens e até mesmo canhões. No Museu Joaquim José Felizardo a história da capital gaúcha é retratada dando ênfase ao próprio prédio onde se localiza, um importante solar pioneiro na cidade… Mas se tu queres conhecer a história de forma cronológica, o Memorial do Rio Grande do Sul é o lugar certo, pois uma série de painéis relata os principais acontecimentos do estado. Todos eles estarão recebendo variadas atrações musicais entre as 19 hs deste sábado e 1 h de domingo. Um programa único! Vamos juntos?

Para saber mais sobre a programação, acessa a página do evento no Facebook neste link aqui.

E veja nos links abaixo o que já falamos sobre estes lugares:

Centro Histórico Cultural da Santa Casa

Museu Júlio de Castilhos

Museu Joaquim José Felizardo

Memorial do Rio Grande do Sul

Muitos museus para serem visitados na sua semana!

Na semana dedicada a eles, nunca é demais repetir que existem muitos espaços não virtuais para que se aprenda sempre um pouco mais, de forma prática e agradável. E os históricos que temos dado destaque aqui, nos revelam o que foi o nosso passado para melhorarmos nossa visão do presente, e construirmos um futuro melhor. São mais de 468 no nosso Rio Grande do Sul, segundo o site http://www.museus.gov.br. Nós mostramos poucas dezenas e temos muito mais a pesquisar e divulgar. Sempre colocando aqui no blog, onde podes colocar a palavra museus na busca e ver o que já visitamos… E te convidamos para fazer o mesmo, não só através da internet onde seus acervos têm sido mostrado regularmente (e tu podes pesquisar aqui no blog usando a palavra museu na busca). Mas no mundo real. Ver o que tem neles. Aprender algo neles. Se tu pagares ingresso para entrar em um deles, tu vais ajudar ele a ser mantido. Se tu conheceres um de entrada gratuita (e há muitos) e deixares a tua assinatura no famoso livrinho (nunca esqueças de assiná-lo), haverá mais motivos para que se direcionem recursos para eles! Afinal, existem muitos profissionais dedicados a conservá-los e promovê-los. Faz a tua parte. E se defenderes a sua existência e te disserem que as “pessoas não se interessam por isso”, responda que tu és uma pessoa! E se interessa. Ah.. E não te esqueces que nos nossos passeios sempre tem um museu….

Uma corajosa mãe chamada Anna Rech

Era muito corajosa esta italiana de Peda Vena, para sair de sua terra natal e atravessar o oceano no rumo do novo mundo, aos 48 anos, viúva e com 8 filhos. Pois Anna Maria Pauletti Rech, tomou esta iniciativa em 1876, da mesma forma que fizeram outros imigrantes deste país europeu. Em sua nova vida na América se estabeleceu no então Campo dos Bugres a beira de uma estrada por onde passavam tropeiros em sua jornada entre o Pampa gaúcho e o centro do Brasil. E em meio a dedicação à prole passou a achar tempo para ajudar estes intrépidos viajantes, oferecendo comida e pousada. Com o passara dos anos, estes agradecidos viajantes a estimularam na ampliação da já então conhecida Casa de Anna Rech, e a prosperidade passou a fazer parte de sua vida. E como uma mãe cujo coração sempre pode ser maior, a riqueza material que foi adquirindo acabou em parte transformada em generosas obras para a sua comunidade. A doação do terreno para a igreja onde uma estátua sua está à frente da imagem de Nossa Senhora do Caravaggio foi uma delas… E os agradecidos cidadãos não podiam fazer diferente ao batizar este importante distrito de Caxias do Sul, com o nome de Ana Rech. A mãe de muitos filhos, viajantes e compatriotas de imigração, que com certeza em muito contribuiu para o crescimento de uma região belíssima e próspera…

Morro do Vento em Picada Café


Mais um lugar com uma vista esplendorosa da serra gaúcha. A Picada Café é um dos pequenos municípios que enfeitam e encantam a Rota Romântica, roteiro onde está incluída as famosas Gramado e Canela. Banhada pelo Rio Cadeia, esta cidade possui um dos novos lugares para a prática de variadas modalidades de vôo livre, do nosso sul. O Morro do Vento com uma altitude de 375 metros vem atraindo os adeptos e apreciadores deste esporte que se jogam nos ares.  Mas o lugar também recebe os que apenas querem observar a ampla vista do Vale do Cadeia onde se destaca a localidade de Joaneta, com sua igreja católica em homenagem a Joana Francisca do Chantal. Para subir até lá, nem é preciso andar muito, pois são apenas 2,5 Km de jornada em estrada de chão a partir da zona urbana. Um lugar com vista privilegiada onde, apesar de não ser possível admirar muitas cidades, como outros pontos que já mostramos (e ainda mostraremos) aqui, brinda seus visitantes com a paz e a harmonia que só  a nossa exuberante natureza pode dar.

Museu do Imigrante em Bento Gonçalves

A história da saga italiana na serra gaúcha não podia deixar de ter um museu a altura em Bento Gonçalves, um dos principais destinos turísticos do país. Nesta cidade, uma das maiores fundadas pelos que vieram do Vêneto pode-se apreciar além de seus bons vinhos, os testemunhos do passado nas salas deste antigo prédio de 1913. Lá estão as ferramentas que ajudaram bravos pioneiros a transformar a mata nativa e selvagem, em culturas que garantiriam o sustento de suas famílias. Enxadas, machados, arados manuais e outros objetos estão em um lugar dedicado a este trabalho inicial. Mas há mais. Em um outro ambiente está em exposição toda a aparelhagem necessária para a produção de vinho. Da colheita da uva até o engarrafamento, passando é claro pelas pipas de madeira usadas no seu envelhecimento. No museu são reproduzidos ainda os cômodos das antigas casas que foram aos poucos preenchendo montanhas e vales da região. A cozinha com a mesa de refeições e o armário de utensílios convidam a entender o ponto principal de convívio das famílias naqueles duros tempos. E o quarto de dormir do casal faz o visitante voltar no passado através de pesados móveis bem menos confortáveis que os de hoje. Um lugar não só para visitar, mas também para mergulhar nesta incrível história de luta, suor e progresso…

A saga da Vila Operária de Galópolis

Os tijolos das construções geminadas de singelas casas de Galópolis guardam uma fascinante história de empreendedorismo, vida e trabalho. E que está intimamente ligado com a saga da imigração italiana, neste belíssimo distrito de Caxias do Sul. O então Vale del Profundo não podia receber uma denominação diferente em 1876 quando recebeu um grupo de operários da cidade de Schio, que vieram como outros conterrâneos, fazer a América. Marcada por íngremes paredões de mata nativa, rasgado por um riacho com sua bela cascata, não parecia ser o local mais adequado para o cultivo a terra. O aproveitamento da energia da água, no entanto acabou por ser o impulsionador para o surgimento de uma cooperativa para a produção de tecidos. Afinal, era isso que faziam estes pioneiros, antes de deixar sua nação para trás. E o fizeram pela ousadia de seu forte movimento grevista, que acabou com sua demissão e deportação para o novo continente. O empreendimento em terras sul-americanas cresceu, mas ao longo do tempo acabou por enfrentar dificuldades, levando aqueles outrora contestadores a se desfazerem do controle do negócio.  O novo dono passou então a ser outro italiano de nome Hercules Galló já no princípio do século XX, que se estabeleceu no local que no futuro levaria seu nome. Com início solitário, acabou também buscando mais recursos com a posterior sociedade com a firma Chaves e Almeida de Porto Alegre a partir de 1920. Foi então que começam a surgir às dificuldades para contratação de pessoal de outros locais, levando a ideia da construção de moradias para receber os novos funcionários. Inicialmente de madeira, as casas dispostas ao redor de um campo central, onde depois foi erguida a igreja, abrigavam os operários e suas famílias que faziam da empresa uma extensão de suas vidas. Pois eram do empreendimento de Galló e companhia, que saiam iniciativas sociais, como festas comunitárias e outros entretenimentos.  A chegada de profissionais mais gabaritados e exigentes, porém é um dos prováveis motivos da adoção dos tijolos, na construção dos prédios que até hoje estão de pé. A inspiração do seu formato remete às vilas inglesas que vieram a reboque da revolução industrial do século XIX. Modelo que já era utilizado inclusive na Schio dos grevistas. A influência do estilo dominante até então na colônia italiana, também deixou sua marca fazendo uma fusão entre estas duas culturas europeias. A empresa com passar dos anos, voltou a ser uma cooperativa, como nos pioneiros tempos daqueles intrépidos imigrantes grevistas, mas as casas seguem lá como testemunhas vivas da história desta gente. Que no passado alugavam simbolicamente de seus patrões, e hoje são donos do que acabou por ser tombado pelo patrimônio histórico. Presenteando o sul com mais este interessante legado, que ajuda a contar um pouco da eterna busca humana pela dignidade e prosperidade.