A longa Lagoa de Itapeva (ou Itapeba?)

Pois a palavra tem origem na língua Tupi-guarani sendo a soma de Itá (pedra) e peb (achatado). O uso do “v” talvez seja influência espanhola, pela pronúncia desta letra entre vogas com sonoridade parecida com o b. Não podemos esquecer que em momentos passados, quem circulava pela região além dos índios eram exploradores tanto portugueses quanto espanhóis. Mas é provável que o motivo que levou a escolha deste nome, tenha a ver com o formato desta que é a maior da região. São 30,5 km de extensão por no máximo 5 km de largura. Encravada entre o mar e a serra gaúcha, já foi importante meio de ligação entre Porto Alegre e Santa Catarina em tempos de estradas de difícil trânsito. Mas hoje, as navegações esportivas e a pesca são as principais atividades em suas águas. E é claro que há potencial para muito mais, e alguns estudos estão sendo realizados para dotar suas margens de estruturas adequadas para receber variadas embarcações. Isto poderia fomentar não só o turismo de lazer como também facilitar a ligação entre Três Cachoeiras e Arroio do Sal, dispensando o contorno da lagoa por terra. Mas independente do seu uso, certamente os que se deslocarem por suas águas serão presenteados com uma paisagem magnífica. Com a imponente serra do mar a vigiar de perto a sua jornada.

Mais uma cascata dos Bugres

Esta fica em Alto Feliz/RS. E os bugres, nada mais eram que os índios que vagavam por serras e vales gaúchos antes da chegada dos europeus. Com avança da colonização, principalmente italiana e alemã em terras mais íngremes, os encontros (muitas vezes não pacíficos) entre estas duas civilizações acabaram sendo inevitáveis. Talvez seja por isso que quedas d´água com cavidades ou cavernas associadas, tenham sido denominadas como sendo destes sul-americanos primitivos. Esta, recebe as águas de um afluente do Rio Caí, que vai encontrá-lo mais de 5 km abaixo em Vale Real. Para chegar até ela é preciso andar 4 km de estrada de chão a partir de Alto Feliz, para depois se embrenhar em trilhas na mata nativa. A descida até a base convida a se ter cuidado com a declividade acentuada do terreno, mas a vista plena da queda compensa… Mas é lá no alto, sem a necessidade de uma caminhada mais extensa, que se pode acessar uma cavidade baixa em meio as pedras e se posicionar atrás da queda. A semelhança de outras cascatas de maior porte, como o Salto Ventoso de Farroupilha. O vislumbre deste fenômeno natural já vale a visita, para apreciar mais esta bela obra da natureza e imaginar a vida desta gente que já vagava por aqui há mais de duzentos anos…

Dunas em Jardim Atlântico

Neste pequeno balneário gaúcho (assim como em outros) os fortes ventos carregam a areia fina por vastas regiões invadindo campos e matas. E formando montanhas. Nem sempre muito altas, mas com formações interessantes que permitem um bom exercício, principalmente em momentos que o sol não castiga tanto. Evitando assim, a sensação de se estar em um deserto interminável. A poucos quilômetros de Torres, Jardim Atlântico é um local preenchido basicamente por casas de veraneio, com uma praia semelhante a quase todas as outras deste pedaço retilíneo de litoral. Mas é quando a malha urbana termina em direção oposta do mar, que surge uma área vasta com montanhas de areia fina, que se mescla com pedaços de vegetação formando uma paisagem única. As subidas e descidas moldadas naturalmente convidam a deslizá-las com auxílio de pequenas pranchas, rasgar caminhos com motos e quadriciclos motorizados ou mesmo descer correndo afundando o pé na areia, os seus íngremes declives. De quebra, vez por outra pode-se testemunhar singelas e estranhas esculturas de autoria do sempre presente vento, principalmente o que vem de nordeste. Todo isso, com um cenário da serra do mar ou fundo. Que muitas vezes convida para um belo entardecer…

A Fonte Imperial e do casamento.

Em Santo Antônio da Patrulha, a fonte inaugurada em 1847 é um dos belos recantos desta cidade gaúcha, que possui fortes traços de colonização açoriana. E Santo Antônio bem se sabe é considerado o santo casamenteiro. Pois em tempos mais remotos, os que levavam o gado dos pampas para o centro do Brasil paravam por ali, para matar a sede antes de encarar a subida da serra e seguir pelo planalto. Eternos viajantes, os tropeiros eram também os que traziam na volta, mercadorias e histórias de lugares distantes. E que de certa forma encantavam e atraíam as donzelas do lugar, muitas delas controladas rigidamente por seus pais. Talvez por isto que se passou a dizer em toda a cidade, que aquele que beber de sua água, fatalmente casará com alguém dali. Sua construção foi idealizada por Dom Pedro I, que em 1826 pernoitou na vila e se preocupou com o abastecimento de água da sua gente. Mas mal sabia o nobre, que além de matar a sede, alimentaria sonhos. Dos cansados carreteiros que queriam finalizar a sua saga de estrada, e se aquerenciar naquele belo lugar. E de inspirados corações daquelas moças, que observavam cautelosamente a vida passar por trás das cortinas de renda de bilro. Pedindo ao santo em oração, que os que descansavam na sombra daquela fonte, tomassem coragem para pedir-lhes a mão.

Quer conhecer este lugar pessoalmente? Então vem com a gente no nosso passeios: Santo Antônio e Osório – Açorianos nas Lagoas



Para a praia pelas Lagoas

Lagoa do Macelino em Osório

Era uma alternativa em outros tempos para sair da capital gaúcha e se chegar ao mar. De barco por lagos, rios e lagoas… E não era só para veranear. E não era só pela água. O caminho de muitas mercadorias e gentes ao sair de Porto Alegre em princípios do século XX, era o Lago Guaíba. Mas para chegar ao litoral e daí seguir para Santa Catarina, se tomava o rumo da Laguna dos Patos até Palmares do Sul. Quando então se mudava o meio de transporte e os trilhos eram o caminho… Isso mesmo, havia uma ferrovia que ligava esta cidade nas proximidades da Lagoa do Casamento (totalmente ligada à Laguna dos Patos) até a então Conceição do Arroio, atual Osório. A antiga estação de trem segue ainda lá com direito a museu e réplica de Vila Açoriana em volta, para provar. Mas a trajetória dos viajantes seguia novamente pela água a partir da Lagoa do Marcelino, onde em suas margens repousa hoje o Memorial das Águas. Ali, um conjunto de antigas imagens, mostra o ambiente que cercava aquele lugar onde ficava o porto da cidade. Esta lagoa, se liga à do Peixoto por um canal, assim como esta, se liga ao conjunto Pinguela-Palmital-Malvas, que se ligam à dos Quadros, que se liga à Itapeva já perto de Torres. E era por este cordão lagunar que iam e vinham mercadorias, gentes e sonhos. Mas a estrada e seus veículos chegaram com sua segurança e rapidez. Ao menos no começo. E a navegação ficou de lado, e os trilhos foram retirados. Para não mais voltar. Mas estes pedaços de água doce e suas belas paisagens na encosta da serra do mar, seguem lá. Na espera de serem novamente apreciadas, valorizadas e usadas…

Estação de Trem.
Vila açoriana.
Imagens da história.
Memorial.
O Morro Alto e a Lagoa do Marcelino
O cordão lagunar…

Condomínio Indígena em Veranópolis

Por que deveriam morar mais do que uma família nesta Caverna em Veranópolis. Um empreendimento amplo em seus mais de 1.800 m2, moldados ao longo de milhões de anos pela natureza da serra gaúcha. A impressionante estrutura é um lugar que deve ser visitado, para entender como era a vida dos que aqui viviam antes da chegada dos europeus. Seu acesso não é difícil, bastando descer alguns degraus de uma escada e percorrer uma trilha leve e plana. Não há ingresso, e um conjunto de lâmpadas que pode ser ascendido na entrada, possibilita penetrar nos seus 67 metros de comprimento. A altura do teto é razoável, e não é uma aventura perigosa apreciar as formações rochosas e o conjunto de passagens e ambientes moldados pela ação milenar da água… O fascínio que um lugar como estes traz, entendendo-se que vidas foram abrigadas, e por que não geradas, gestadas e construídas ali, pode fazer com se reflita mais sobre a nossa saga na superfície deste mundo. E sobre tudo o que temos hoje nestes agitados e modernos tempos…

Museu de Garibaldi

Que está localizado no prédio onde funcionou a Sociedade de Mútuo Socorro ou Societta Di Muttuo Socorso em bom italiano, e que abrigou os primeiros imigrantes que falavam essa língua nesta encantadora cidade da Serra Gaúcha, a partir de 1878. Hoje transformado em museu dedicado a história desta gente e do herói que dá nome a cidade, o edifício recebia, hospedava e ajudava de forma cooperada, corajosos colonos na epopeia de derrubar o mato e erguer suas primitivas propriedades rurais. Com o nome de Stella D’Italia a instituição era composta por sócios que ajudavam uns aos outros, tendo como uma das tarefas socorrer e amparar os que se adoentavam, ou mesmo que viessem a falecer, incluindo apoio a familiares. Com o tempo passou a abrigar uma escola, um consulado italiano e até mesmo um hospital durante a primeira guerra mundial entre 1914 e 1918. Mas foi na segunda guerra (1939 a 1945) que teve seu pior momento com a invasão de suas instalações e depredação do patrimônio, em um conjunto de perseguições ao fascismo italiano (assim como ao nazismo alemão) que respingou na distante colônia sul-americana. A consequente doação do patrimônio ao governo italiano foi a saída encontrada pela diretoria de então, com o consequente término das atividades. Anos se passaram com usos diversos, até que a administração municipal solicitou à sua doação já na década de 60, com a condição de uso somente para atividades culturais. Foi assim que surgiu o museu na década de 80. Seu rico acervo além de mostrar móveis e utensílios utilizados pelos primeiros colonos, incluindo uma antiga cadeira de dentista, traz imagens da trajetória de Giuseppe e Anita Garibaldi e até mesmo um retrato detalhado de ambos. No andar de cima, o visitante tem ainda um rico acervo de documentos do arquivo municipal a disposição para pesquisas. Um lugar interessante onde a história não está somente nos objetos que simulam ambientes e vivências antigas, mas também nas suas paredes, na sua alma. Que nos brinda com uma trajetória de luta pela sobrevivência, de luta pela vida, e de luta por ideais que fizeram com que alguns chegassem a vias de fato, no mundo todo… E que hoje são apenas relevantes lembranças mas que podem nos ensinar muito…

Este museu faz parte do nosso passeio Garibaldi – Paisagens de cinema