Para a praia pelas Lagoas

Lagoa do Macelino em Osório

Era uma alternativa em outros tempos para sair da capital gaúcha e se chegar ao mar. De barco por lagos, rios e lagoas… E não era só para veranear. E não era só pela água. O caminho de muitas mercadorias e gentes ao sair de Porto Alegre em princípios do século XX, era o Lago Guaíba. Mas para chegar ao litoral e daí seguir para Santa Catarina, se tomava o rumo da Laguna dos Patos até Palmares do Sul. Quando então se mudava o meio de transporte e os trilhos eram o caminho… Isso mesmo, havia uma ferrovia que ligava esta cidade nas proximidades da Lagoa do Casamento (totalmente ligada à Laguna dos Patos) até a então Conceição do Arroio, atual Osório. A antiga estação de trem segue ainda lá com direito a museu e réplica de Vila Açoriana em volta, para provar. Mas a trajetória dos viajantes seguia novamente pela água a partir da Lagoa do Marcelino, onde em suas margens repousa hoje o Memorial das Águas. Ali, um conjunto de antigas imagens, mostra o ambiente que cercava aquele lugar onde ficava o porto da cidade. Esta lagoa, se liga à do Peixoto por um canal, assim como esta, se liga ao conjunto Pinguela-Palmital-Malvas, que se ligam à dos Quadros, que se liga à Itapeva já perto de Torres. E era por este cordão lagunar que iam e vinham mercadorias, gentes e sonhos. Mas a estrada e seus veículos chegaram com sua segurança e rapidez. Ao menos no começo. E a navegação ficou de lado, e os trilhos foram retirados. Para não mais voltar. Mas estes pedaços de água doce e suas belas paisagens na encosta da serra do mar, seguem lá. Na espera de serem novamente apreciadas, valorizadas e usadas…

Estação de Trem.
Vila açoriana.
Imagens da história.
Memorial.
O Morro Alto e a Lagoa do Marcelino
O cordão lagunar…

Condomínio Indígena em Veranópolis

Por que deveriam morar mais do que uma família nesta Caverna em Veranópolis. Um empreendimento amplo em seus mais de 1.800 m2, moldados ao longo de milhões de anos pela natureza da serra gaúcha. A impressionante estrutura é um lugar que deve ser visitado, para entender como era a vida dos que aqui viviam antes da chegada dos europeus. Seu acesso não é difícil, bastando descer alguns degraus de uma escada e percorrer uma trilha leve e plana. Não há ingresso, e um conjunto de lâmpadas que pode ser ascendido na entrada, possibilita penetrar nos seus 67 metros de comprimento. A altura do teto é razoável, e não é uma aventura perigosa apreciar as formações rochosas e o conjunto de passagens e ambientes moldados pela ação milenar da água… O fascínio que um lugar como estes traz, entendendo-se que vidas foram abrigadas, e por que não geradas, gestadas e construídas ali, pode fazer com se reflita mais sobre a nossa saga na superfície deste mundo. E sobre tudo o que temos hoje nestes agitados e modernos tempos…

Museu de Garibaldi

Que está localizado no prédio onde funcionou a Sociedade de Mútuo Socorro ou Societta Di Muttuo Socorso em bom italiano, e que abrigou os primeiros imigrantes que falavam essa língua nesta encantadora cidade da Serra Gaúcha, a partir de 1878. Hoje transformado em museu dedicado a história desta gente e do herói que dá nome a cidade, o edifício recebia, hospedava e ajudava de forma cooperada, corajosos colonos na epopeia de derrubar o mato e erguer suas primitivas propriedades rurais. Com o nome de Stella D’Italia a instituição era composta por sócios que ajudavam uns aos outros, tendo como uma das tarefas socorrer e amparar os que se adoentavam, ou mesmo que viessem a falecer, incluindo apoio a familiares. Com o tempo passou a abrigar uma escola, um consulado italiano e até mesmo um hospital durante a primeira guerra mundial entre 1914 e 1918. Mas foi na segunda guerra (1939 a 1945) que teve seu pior momento com a invasão de suas instalações e depredação do patrimônio, em um conjunto de perseguições ao fascismo italiano (assim como ao nazismo alemão) que respingou na distante colônia sul-americana. A consequente doação do patrimônio ao governo italiano foi a saída encontrada pela diretoria de então, com o consequente término das atividades. Anos se passaram com usos diversos, até que a administração municipal solicitou à sua doação já na década de 60, com a condição de uso somente para atividades culturais. Foi assim que surgiu o museu na década de 80. Seu rico acervo além de mostrar móveis e utensílios utilizados pelos primeiros colonos, incluindo uma antiga cadeira de dentista, traz imagens da trajetória de Giuseppe e Anita Garibaldi e até mesmo um retrato detalhado de ambos. No andar de cima, o visitante tem ainda um rico acervo de documentos do arquivo municipal a disposição para pesquisas. Um lugar interessante onde a história não está somente nos objetos que simulam ambientes e vivências antigas, mas também nas suas paredes, na sua alma. Que nos brinda com uma trajetória de luta pela sobrevivência, de luta pela vida, e de luta por ideais que fizeram com que alguns chegassem a vias de fato, no mundo todo… E que hoje são apenas relevantes lembranças mas que podem nos ensinar muito…

Este museu faz parte do nosso passeio Garibaldi – Paisagens de cinema