A pelota que deu nome à cidade


No Parque do Gaúcho em Gramado, um interessante objeto enriquece a bela exposição histórica, sobre a saga dos povos do sul. Esta sacola de couro em formato de bola, que em espanhol se diz pelota, era a solução usada para atravessar objetos pelos rios do sul, em séculos passados. Nas suas longas travessias pelos campos levando o charque produzido nos pampas para o centro do Brasil, ou mesmo ao trazer outros objetos na sua volta, os tropeiros utilizavam largamente esta técnica. E o arroio por onde elas mais circulavam que acompanhou o crescimento de um verdadeiro distrito industrial para a produção de carne seca salgada, não podia deixar de ter outra denominação, quando via seu leito se encher destas pelotas.  Nome que também foi dado à cidade que florescia ali perto, em substituição à homenagem a São Francisco de Paula. As outras variadas utilizações do couro do gado que por muitos anos se reproduziu solto pelo pampa, são mostradas detalhadamente nesta rica exposição, que também conta esta saga industrial do sul por meio de educativas maquetes. Um lugar incrível, que conta ainda com a reprodução de moradias antigas dos primórdios da ocupação do território, e uma arena onde são apresentadas técnicas de doma de cavalo além de outras atrações…

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O calçamento de dois séculos em Rio Pardo

As pedras do Rio Jacuí foram às escolhidas para formar a primeira rua calçada do Rio Grande do Sul. Construída por mãos escravas em 1813, foi uma solução adotada para facilitar a subida às partes altas da cidade, das mercadorias que chegavam pelo rio um dos maiores e principais da região. As pedras irregulares, com pouca ou quase nenhuma lapidação, formam um leito onde a parte central é que recebe o escoamento das águas da chuva, seguindo o modelo da Via Apia romana. O casario antigo, ainda preservado, ajuda a compor o conjunto que remete o viajante ao passado de um lugar com uma rica importante história. Afinal, foi uma das primeiras cidades da região, em tempos onde as fronteiras entre portugueses e espanhóis eram arduamente disputadas nestes campos sem fim. 


Ponte de ferro centenária de Feliz

Sobre o Rio Caí com sua característica cor amarela, esta ponte trazida da Bélgica e montada ali há mais de cem anos, merece uma visita. Ela liga duas metades desta bela cidade de uma das regiões de melhor qualidade de vida de todo o sul. Por sua estrutura metálica os veículos se intercalam em sua passagem, pois ela possui apenas uma via. Já os pedestres tem um caminho lateral, onde podem apreciar de altura significativa, o manso fluir das águas do rio. Mas é de baixo, a beira da água em uma “praia” de pedras arredondadas, que se pode apreciar toda a beleza da sua forma, harmonicamente encaixada na paisagem do vale.   A cidade colonizada por imigrantes germânicos e as paisagens da região convidam a um passeio que pode incluir mais lugares, além da ponte. Lugares que tu sabes que mostramos e mostraremos pra ti, assim como muitas outras pontes históricas espalhadas por aí… 


Estações da Maria Fumaça – III Carlos Barbosa (fora da rota)


Em uma série de três postagens, trazemos pra ti o encanto das antigas estações de trem da serra, por onde passa uma velha Maria Fumaça. Que em Carlos Barbosa tem uma estação nova e moderna… A antiga foi erguida na mesma época das de Garibaldi e Bento Gonçalves e não mais recebe os passageiros do trem, sendo utilizada para outras atividades incluindo escritórios da administração municipal, biblioteca e cinema. Com inauguração realizada em 1909 servia a uma linha que seguia em direção a Farroupilha e Caxias do Sul, tendo uma bifurcação que levava a Bento Gonçalves no trajeto atual. E ainda seguia adiante em trecho atualmente desativado, que compunha a ferrovia do vinho pioneira no turismo na década de 70. A linha que segue a Caxias do Sul, também foi desativada em uma sina que afetou todo o sul e muitas outras regiões. Ao contrário de outros continentes onde o trem de passageiros continua tendo seu importante espaço.

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Uma república em um acampamento

Que país é este? Que leva sua gente a montar moradias rústicas, em meio ao agitado centro de uma metrópole. Só para reverenciar as suas raízes, cultivar suas tradições e enaltecer com muito amor seu patriotismo. Erguendo por todo o lado a bandeira de uma república, que segue muito viva em cada coração… No Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, esta nação que existiu por nove anos do século XIX no sul do então império do Brasil, tem seu momento de ressurgir junto com seu passado. Em um congraçamento dos que amam além do seu chão, os costumes herdados dos antepassados. Em cada um destes lares temporários, está um grupo que se reúne para saborear um churrasco, tomar um chimarrão e contar às histórias que formam a cultura de um povo. A bandeira com três cores e três lemas, leva mesmo depois de mais de meio século de seu fim, o nome da república Riograndense sonhada por aqueles revolucionários. O vermelho republicano que rasga o verde e amarelo, representava o sonho de uma nação sem reis ou imperadores, que fosse de toda a sua gente. Ou “Res Publica”.  Do público… E que tivesse a guiá-lo os lemas “Liberdade, Igualdade e Humanidade”.



Os planos da revolução na sombra do cipreste

Foi embaixo desta árvore, que Bento Gonçalves  seus comandados definiram as últimas ações a serem executadas na madrugada de 20 de Setembro de 1835. Em frente à casa de Gomes Jardim em Guaíba, os revolucionários planejaram a tomada de Porto Alegre dando início a festejada Revolução Farroupilha. A guerra contra as forças leais ao império duraria longos dez anos e deixaria um rastro de sangue, sequelas, mas sonhos. E nem todos frustrados. A paz selada que muitos interpretam como derrota, semeou os ventos da República que tomaria conta do país 4 décadas depois. Além de seguir sendo lembrada como um exemplo de coragem e ousadia dos que queriam mais. Dos que lutaram por aquilo que achavam justo. Os elementos culturais desta empreitada seguiram vivos através dos anos, sendo posteriormente incrementados e cultivados principalmente no século XX, para enaltecer a figura do gaúcho. E as raízes desta gente se confundam nas celebrações atuais, com o sonho de criação de uma nação que insiste em existir. Ao menos em seus símbolos…. 


Olhares gaúchos

 Para o céu, para o infinito do pampa, para o passado, para o futuro. A figura mitológica que dominou os campos continentais acabou querendo ou não, simbolizando os que nascem nesta terra. A famosa estátua do laçador em frente ao aeroporto de Porto Alegre, e a do gaúcho oriental no Parque Farroupilha, presente do governo do Uruguai no centenário da Revolução que dá nome a esta importante área verde da capital também conhecida por Redenção, representam muito bem este personagem. E suas características, sua indumentária, seus hábitos e sua cultura estão cada vez mais preservados não só por aqueles que seguem nas lides do campo, mas também pelos que se reúnem neste Setembro no Acampamento Farroupilha. No evento cada vez mais cultuado, famílias inteiras se voltam ao passado de uma rica história, para entender não só como e porque tudo aconteceu, mas também para buscar respostas ao que vem por aí neste agitado novo século. Sempre acompanhados de um bom mate ao redor do fogo de chão…