O melhor de 2016 – II

Pra fechar a conta deste incrível ano, mais imagens e histórias que captamos nos muitos caminhos trilhados…. Que muitas vezes começam na Rodovia do Parque onde já se pode trazer algo, principalmente da forte geada de Junho. Talvez ainda não tenhamos ido tão longe neste ano, mas conseguimos ao andar um pouco além, testemunhar o fantástico aqueduto de Candelária com o morro do Botucaraí como pano de fundo… E é claro que os pontos mais conhecidos não ficaram de fora, e trouxemos belas imagens dos Caminhos de Pedra de Bento Gonçalves e dos coloridos canteiros de flores, de Nova Petrópolis. Em 2017 tem mais, muito mais….

O melhor de 2016 – I

Escolhamos algumas é claro… E toda escolha não é perfeita. O que importa é que este primeiro ano que começou no Facebook, seguiu com a revista e terminou com a retomada deste blog, trouxe muitas histórias e lugares….
As águas que despencam no Salto Ventoso em Farroupilha, tiveram a estrutura do seu entorno reformada. Assim como ocorreu há alguns anos com a Estação Rio Pardo, cujo entorno ainda pode muito mais. Quem sabe com o envolvimento da comunidade como acontece na confecção dos tapetes de serragem da procissão de Corpus Christi de Flores da Cunha. Ou mesmo com algum esforço de órgãos públicos, que mesmo com dificuldades mantém a aberta belíssima Biblioteca Pública em Porto Alegre. Ao olharmos para trás nos sentimos realizados em trazer pra ti, um pouco daquilo que entendemos que pode ser muito mais valorizado…

Museu da Baronesa


A baronesa era filha de ingleses que estavam abrindo uma filial do Banco de Londres em Pelotas, no século XIX. E seu presente de casamento dado pelo sogro, conhecido charqueador da cidade, foi uma ampla chácara onde seu marido construiu bela residência, utilizado por mais duas gerações. E ela está aberta há mais de 30 anos a toda a comunidade na forma de um interessantíssimo museu, que mostra com amplitude os usos e costumes de uma época marcante. Os detalhes artísticos do prédio rosado, já chamam a atenção antes mesmo de se entrar neste mundo a parte. E no interior de cada peça surgem móveis e objetos que vão desvendando o estilo de vida dos que o habitaram. As roupas usadas em encontros sociais, vestidas em singelos manequins facilitam o imaginar das diversas cenas ocorridas no belo mobiliário tão bem conservado. 


Em cada uma das peças em que o visitante vai passando, uma nova experiência pode ser intensamente vivida. Estão presentes lá, sala, quartos, a cozinha e o banheiro, todos eles muito bem caracterizados. Os delicados azulejos com motivos holandeses da cozinha, importados da Europa como outros objetos em exposição, mostram o cuidado que a família cultivava com a construção do seu ambiente.

A algibeira no centro da casa (uma espécie de poço que captava também a água da chuva) era um símbolo da estrutura necessária à autonomia completa. E a delicada beleza dos móveis da sala onde as moças conversavam com seus futuros maridos, escancara a preocupação com o romântico e a arte de todo um grupo de pessoas que passaram por ali. 

A área verde ao redor da propriedade por fim, é um convite não só a vivência em um ambiente ao ar livre, como também a entender os sonhos e anseios dos que construíram tudo aquilo.

Morro da Borússia

O movimento vai aumentar pras bandas do litoral com o sol quente do verão que se aproxima. E os bronzeados vão se esparramar pelas areias da extensa faixa litorânea do sul. Mas o litoral é muito mais do que a praia de mar, e a natureza é generosa em toda a região. Não muito longe das ondas, em Osório, uma subidinha ao Morro da Borússia é sempre a pedida para quem está no caminho do sol. A vista lá de cima, que pode ser apreciada de um mirante, ou mesmo de uma rampa de voo livre em ponto mais alto, mostra muito mais que a total visão da cidade. De lá é possível apreciar e entender a riqueza de uma região que ainda pode muito mais. As imensas fileiras de esbeltos cataventos, as inúmeras lagoas lado a lado ou mesmo o mar logo ali acompanhado dos agitados balneários, se esparramam abaixo dos pés dos que sobem a asfaltada estrada que leva até lá. Sem dúvida um lugar para perceber o mundo de outra forma, além de ser um ponto de partida para visitar tudo o que se vê do alto, e além de muitas outras atrações naturais…

Santo Antônio

Eles, os tropeiros, que rasgavam trilhas antigas levando e trazendo produtos essenciais, pois era o que se tinha no comércio da época, passavam por Santo Antônio da Patrulha pagando pedágio. Exatamente como fazem os veranistas de hoje, na moderna auto-estrada que liga a capital gaúcha ao litoral norte. Era ali o lugar que após acertar as contas com o fisco, iniciavam a subida da serra em direção ao planalto, para chegar a São Paulo e ao centro do país. E alguns deles e outros fugidos da invasão espanhola em Rio Grande, também ali se estabeleceram fazendo prosperar o núcleo urbano, mas sem o transformar em cidade muito grande. A ponto de deixar um interessante legado bem característico desta corrente migratória. Suas casas de janelas simples e portas na calçada estreita têm sido em sua maioria, mantidas por seus moradores, ou mesmo por quem as usa para fins profissionais e comerciais. O ambiente formado remete ao passado dos viajantes, que talvez tenham se encantado com belas moças por trás de vidros e cortinas, a rezarem para o santo casamenteiro padroeiro da cidade. E que chega a estampar sua imagem, em quadros de azulejos em algumas alvas paredes externas…

Cavacos nas Dunas

Há quem prefira apenas um calçadão para finalizar a larga faixa de areia, típica do litoral gaúcho. Afinal, caminhar com um tênis em um liso e artificial piso, é mais confortável do que por os pés na areia, ainda mais para um acelerado exercício. Mas a partir deste verão, os que vêm de Capão da Canoa em direção sul, podem seguir por Atlântida e Xangri-Lá, em cima da laje. E em companhia das dunas. Por que elas não saíram de lá, para sorte das ruas que não sofreram tanto com as fortes ondulações da última ressaca. A proteção natural do mar sofreu o seu revés, mas segurou a onda. Literalmente. E as areias finas também ganharam o seu freio, para não invadir a nova avenida litorânea e seu tão desejado lugar para a corridinha do fim de tarde. Uma superfície de cavacos de madeira foi colocada sobre a superfície delas em determinados pontos, evitando que o vento jogue grãos invasores sobre a área urbana. Uma solução simples, que ainda não verificamos a total eficácia. Se tu sabes um pouco mais, diga para nós. Por enquanto temos as imagens da primavera, na expectativa de um verão de harmonia entre a civilização, e a natureza que atrai a turma para lá…