É preciso mais (também era preciso em 1824)

Fecharam a Casa do Imigrante. Antes que a infiltração causasse danos mais sérios. E para uma boa reforma precisa R$ 200 mil. Estivemos lá há dois anos e podemos conferir seu rico acervo, e empenho de quem ajuda (ou ajudava) a mantê-la. (veja aqui o post original). Naquele julho ela ficaria mais tempo aberta, mas agora…. Bem, é preciso mais médicos, e mais postos de saúde e mais escolas e mais professores (bem pagos também). Mas para o bem da nossa história, e por que não da educação, bem que podia sobrar umas migalhas para este cantinho de São Leopoldo que ajuda a lembrar uma saga. Sem tirar o mérito dos manifestantes de hoje, sempre é bom lembrar que os tempos já foram bem mais bicudos. Não havia Facebook em 1824, mas dá para imaginar como seria:


A primeira noite na casa da Feitoria não foi nada agradável. Dormimos no chão batido um ao lado do outro, formando uma longa fila de corpos estirados. Coube a mim um lugar próximo ao homem que vinha conversando empolgado com Helmuth no barco. Passei a noite inteira em vigília, temendo que ele tentasse se aproveitar da situação.

Mas o dia amanheceu, e saímos para conhecer nosso lote. Ou nosso mato. Pois assim é o lugar que ficaremos. Um emaranhado de vegetação diversa. A mesma que me encantou nas margens do rio, agora já não me pareceu tão bela. O entrelaçar de folhas, troncos e cipós, está mais próximos de um inferno verde. Um verde muito diferente dos saudosos vales que deixamos do outro lado do oceano. Vencer isto, e daqui tirar nosso sustento me parece algo impossível.

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