A tradição de pintar ovos de Páscoa



Fortemente enraizada nas comunidades germânicas do Rio Grande do Sul ao menos em tempos passados. Era muito comum antes do domingo de páscoa, municiar a criançada de pincéis e tintas para que soltassem a imaginação e criatividade enfeitando ovos de galinha… Isto mesmo. Provavelmente em tempos de menos fartura de chocolate eram os ovos retirados do aviário, que faziam parte da festa. E em muitas das vezes seu interior era substituído por amendoins açucarados para alegria da criançada. Pois foi para resgatar esta tradição que o Museu Municipal de Sapiranga (que fica em uma antiga estação de trem e do qual ainda falaremos e outra postagem), criou este pequeno recanto em sua exposição permanente. Nele está um exemplar de uma tinta especificamente desenvolvida para este fim, mas que provavelmente não mais exista. Ou será que ainda é fabricada? Há também métodos naturais de obtenção destas cores, que provavelmente eram a único meio de realizar a atividade em tempos mais remotos.  Mas é claro que nem tudo passou e esta arte não é tão somente histórias que se mostram em museus. Alguns lares, buscam ainda manter esta encantadora tradição neste já adulto novo século. Utilizando este mágico momento para ligar as diferentes gerações de uma família…

Uma outra igreja em chamas

Foi o que aconteceu duas vezes com a igreja São Pedro Apóstolo de Ivoti, no século XX. Erguida em 1857 foi durante anos orgulho da comunidade por sua imponência, até ser atingida pelo primeiro incêndio em 1924. Inocentes crianças, à procura de ninhos de pássaros em sua torre, teriam deixado cair uma vela que iniciou a tragédia. E a fuga dos assustados “incendiários” sem pedir socorro, fez o estrago completo. Um ano depois foi reinaugurada e utilizada até os anos 70, quando uma nova foi construída ao lado. O já envelhecido prédio passou a ser utilizado para aulas e outras atividades da paróquia, até ser tombado pelo patrimônio histórico em 1986. Dias antes do segundo incêndio que a deixou em ruínas até hoje… Neste novo século um telhado já foi colocado e o processo de restauro está em andamento. E suas belíssimas linhas arquitetônicas, mesmo que deterioradas pelo tempo e pelos infortúnios, seguem encantando aos que apreciam esta verdadeira obra de arte…

A pioneira Igreja Luterana de Campo Bom

Pois foi a primeira do Rio Grande do Sul. Mas começou modesta, de madeira em 1828. A construção em alvenaria só se daria em 1851, para substituí-la e agregar os fiéis nos cultos desta religião. Com um relógio em cada uma das faces de sua torre única, seu tom rosado e seu estilo eclético funcionou até 1976 quando uma nova ao lado foi construída. Mas desta vez a antiga construção permaneceu como testemunho de décadas de encontro comunitário e exercício da fé. Como seguidamente comentamos por aqui, os luteranos estão fortemente vinculados à região de colonização germânica e sempre nos presentearam com estas construções. Algumas delas localizadas nas belas paisagens rurais dos vales gaúchos. Esta, no entanto, testemunhou o crescimento desta agitada cidade ao lado de Novo Hamburgo, e de sua avenida principal. Apesar de aparentemente sem uso e de portas fechadas, suas linhas seguem encantando os que passam no ritmo apressado dos dias. Enquanto aguardam que sejam concretizados novos planos para sua nova utilização. Pois beleza é que não lhe falta, ainda mais quando as cores do fim de tarde vão lhe emprestando luminosos tons.

Lá no Cafundó

Que era uma antiga estação de trem no interior de Montenegro. Voltamos lá depois de ter feito algumas imagens que tiveram muita repercussão há um tempo atrás. O lugar há muito não recebe mais os trens que por ali passavam e por vezes paravam para manutenção em nas oficinas existentes em anexo. Fazendo da comunidade que hoje recebe o nome de Santos Reis, um local muito mais perto do que o nome inicial possa ter sugerido. As composições traziam gentes, mercadorias, notícias, esperanças… Singravam uma linha que ligava a cidade a beira do Rio Caí colonizada por portugueses e alemães, com a serra gaúcha onde os italianos prosperaram. Muito por conta deste moderno transporte da alvorada do século XX. O saudosismo de quem ainda presenciou esta era, e nesta região se criou, escancara a importância e o carinho das gentes para com o apito do trem. E todo o seu significado. As despedidas. Os reencontros. As histórias. Que ficaram no tempo engolidas pela modernidade das estradas e seus carros e caminhões. E pelas comunicações de distintos tipos, e suas facilidades e imediatismos. A estação, as oficinas e até mesmo uma olaria ali instalada por estratégicos motivos, não resistiram e foram deixadas ao quase abandono. Exceção feita a estação em si, que hoje serve de moradia… A pintura do letreiro com esta palavra emblemática acrescida do nome de alguém, que talvez seja seu morador, pode atestar que ao menos por enquanto este prédio permanecerá de pé…

No Alto do Ferrabraz

As vezes é preciso subir no alto da montanha para enxergar longe. Ver as cidades como um emaranhado de construções branco-acinzentadas com pequenos toques de outras cores. Fazemos com alguma frequência isto pois belas vistas fazem parte do nosso conteúdo. O morro do Ferrabraz em Sapiranga é um destes lugares que vale a pena subir e voltar várias vezes. Com uma visão ampla de cidades importantes do Vale dos Sinos, como Novo Hamburgo e São Leopoldo, também se deslumbra lá de cima a subida da serra gaúcha. E com um pouco de atenção e informação podem ser identificadas cidades como Dois Irmãos e Morro Reuter encravadas em meio à verdejantes montanhas. Em dias mais nítidos, a vista alcança até mesmo a capital gaúcha por trás do Morro Sapucaia, e na direção do nascente, Taquara e o Vale do Paranhana. Nesta última visita o dia não estava totalmente claro, mas a natureza propiciou o espetáculo de luz e sombra de um dia com nuvens e um pouco de vento a soprá-las. O local que é cultuado pelos que se jogam a voar com os modernos Paraglider, também foi testemunha de uma história marcante que acabou de forma triste e que já comentamos aqui. E ainda falaremos novamente deste episódio de intolerância e conflito, como talvez muitos outros menores que acontecem lá embaixo. E que ficam distantes para quem os vê lá do alto…

Vista parcial de bairros de Sapiranga
Vista parcial de Sapiranga
Visão ampla onde se vê em primeiro plano Sapiranga e mais ao fundo Campo Bom, Novo Hamburgo e São Leopoldo.
Detalhe de parte de Novo Hamburgo
Sapiranga e Campo Bom ao fundo
Novo Hamburgo e São Leopoldo ao fundo
Detalhe de Dois Irmãos
Novo Hamburgo
O começo da Serra Gaúcha

As históricas casas dos Caminhos de Pedra

Por que de pedra é que eram construídas as primeiras residências dos colonos italianos que se estabeleceram na serra gaúcha, em fins do século XIX. Era o que mais tinha na montanhosa região que recebeu estes bravos pioneiros. Com o passar dos anos e a aquisição de mais ferramentas, o corte de madeira foi dando um luxo a mais na moradia, e muitas acabaram por possuir um segundo andar com as tábuas retilíneas cortadas de árvores tombadas. E tudo isso pode ser vivenciado nos Caminhos de Pedra em Bento Gonçalves. Uma sequência de dezenas de casas, erguidas pelos colonos italianos nestes dois materiais podem ser apreciadas de fora, ou em alguns casos de dentro. Afinal, elas hoje são ocupadas por empreendimentos gastronômicos variados, lojas, e pequenos museus. Como o que mostra a forma de beneficiamento da erva-mate, usada para o preparo do tradicional chimarrão. Estão lá também, um típico moinho de grãos com as velhas tecnologias que foram o sustento de gerações de uma mesma família além da pequena capela de São Pedro erguida em 1901. Nesta igreja, em um campanário ao seu lado, repousa um sino trazido da Itália, que chegou de navio e barco até Montenegro. A partir daí o lombo de mulas foi o seu meio de transporte até Dona Isabel (atual Bento Gonçalves). E para chegar ao destino final teve que ser trazido a pé por seus fiéis, pela precariedade da estrada de então. Mas o roteiro ainda tem muito mais histórias que uma postagem apenas é pouco para contar. Ainda mostraremos mais, com vídeo e mapa completo… Informações mais do que necessárias e merecidas a um lugar que avançou bastante em termos de estrutura, mas que é claro que pode mais…

A singular Casa de Cultura Mário Quintana

No coração de Porto Alegre, fica este lugar único, que não podia deixar de ser mostrado na semana de aniversário da cidade. O que escreve estas linhas, tem a sua admiração e paixão por estas paredes rosadas, e sua arquitetura especial. Com uma rua que passa por debaixo de antigas passarelas inseridas no desenho geral da construção, o prédio abrigou um dos melhores hotéis da capital no alvorecer do século XX. Além de ser a morada do poeta que dá nome a um conjunto de espaços para exposições, teatros e salas de cinema. Estas passarelas que ligam as duas metades, as pequenas sacadas em vários ambientes, o jardim aberto do sexto andar, e as cúpulas onde em uma delas, um café completa a oferta de atrações, são um convite a momentos mágicos. Mesmo se não houver interesse em prestigiar os eventos culturais do espaço, o passeio a este verdadeiro monumento da Rua da Praia é simplesmente imperdível. E o lugar merece ser mais do que visitado. Merece ser sentido. Das mais variadas formas. Pois é uma maneira especial de conhecer, mas principalmente, saber Porto Alegre. E sua fantástica história de quase dois séculos e meio…