Vale do Taquari I – História, trens e bicicletas

Em Lajeado e Colinas, se pode mergulhar na imigração germânica, andar nos trilhos e apreciar bicicletas, transformadas em floreiras. O parque histórico do imigrante em Lajeado, principal cidade desta região é um lugar que merece ser visitado… E pode receber muito mais visitantes… Afinal, um interessante conjunto de casas semelhantes as erguidas pelos primeiros colonizadores, e que utilizam a técnica construtiva enxaimel, se espalham por uma grande área verde. O local já foi inclusive escolhido para cenário de filmes, pois parece que ao se entrar lá se é conduzido a um outro mundo de um tempo distante… Seguindo pelo vale por estrada alternativa a principal, mas igualmente asfaltada, se pode chegar um alguns minutos a pequena cidade de Colinas e suas curiosidades, além das duas belas igrejas (católica e luterana) na rua principal. O núcleo urbano cercado de belas paisagens, é enfeitado com bicicletas antigas espalhadas pelas ruas e transformadas em floreiras. Cada uma pintada de uma cor, formam um cenário singelo e ao mesmo tempo recheado de inspiradora beleza. Mas tem mais neste cantinho do vale. Uma ferrovia, praticamente desativada corta o lugar por baixo de algumas casas por meio de um túnel, cuja entrada se pode observar em uma ponte que cruza os trilhos em um outro ponto adiante… É claro que o vale tem muito mais, e alguns destes lugares estão no vídeo e em uma próxima postagem…

Dia do Patrimônio Histórico

Que deveria ser todo o dia, e não somente no dia 17 de agosto! Como diria o pai do que escreve estas palavras com respeito ao dia em homenagem a ele, comemorado no último domingo. Mas é claro que não é má ideia, ter essa data para lembrarmos de sua importância. Por quê? Bem, somos suspeitos para falar, por que é nosso objetivo mostrar belezas e histórias por trás de cada parede mais antiga… Mas será que é só por estética que há tantos interessados em preservá-lo? Acreditamos que não. Acreditamos que conservar ou revitalizar um prédio, e mesmo uma cultura antiga é mais do que isso. É conversar com um outro tempo e com gentes que não estão mais aqui. É dialogar com lembranças como fazemos frequentemente com a nossa memória, mas também conhecer um mundo que não faz mais parte do nosso cotidiano. Como a rua de Rio Pardo que ilustra esta postagem e que foi erguida por escravos. Homens e mulheres que vieram sobretudo da África, e deixaram descendentes que hoje não cogitam mais em colocar pedras sobre o chão somente em troca de comida, e sem nenhuma liberdade de ir e vir. Observar algo de outros tempos, entendendo o que está por trás de cada objeto, construção ou manifestação cultural, ajuda a entender o que já se passou. Seja isto bom, ou ruim. E  mais do que isso, é buscar as soluções para modernos desafios, considerando as diversas experiências já vividas, por quem veio antes de nós…

A impressionante cascata do caracol

São 130 metros de queda que podem ser admirados de dois mirantes dentro de um parque estadual. Este verdadeiro ícone da serra gaúcha fica em Canela, sendo facilmente acessada, por meio de uma estrada asfaltada. A exuberância da formação rochosa que acompanha o despencar das suas águas, porém não é o único atrativo do parque. Uma adequada estrutura para atender milhares de visitantes anuais, é seguida de outros atrativos naturais de igual beleza, como a Cascata do Moinho e as corredeiras do Arroio Caracol. Para chegar até eles, trilhas de fácil percurso permitem que se possa desfrutar de agradáveis momentos em meio a natureza, sem a necessidade de grandes esforços físicos, ou mesmo um elevado espírito aventureiro. Mas a cidade tem muitos outros lugares para serem apreciados, e é claro que mostraremos mais. No vídeo desta postagem tu confere alguns destes destinos…

O belo casario de Jaguarão

A cidade na fronteira com o Uruguai tem um patrimônio histórico belíssimo, com boa parte de seu casario bem preservado. A passagem por lá foi rápida pois estávamos com a família indo além das fronteiras do nosso sul. Mas conseguimos apreciar de alguma forma os seus encantos e trazer algumas imagens pra ti. Com um forte crescimento econômico ocorrido na virada do século XIX para o XX, Jaguarão recebeu belos empreendimentos particulares, mas também públicos, comerciais e culturais, incluindo o Teatro Esperança, que segue em atividade. Ele é o terceiro mais antigo do Rio Grande do Sul, perdendo apenas para o 7 de abril de Pelotas (atualmente desativado) e para o São Pedro de Porto Alegre. A ponte que liga os dois países é outra preciosidade erguida nos anos 1930, e paira d forma majestosa sobre o rio que dá nome a cidade do lado gaúcho. Mas há mais neste local fascinante, e voltaremos para mostrar com a devida atenção que ele merece… Assim como pretendemos trazer cada vez mais conteúdos, e de forma cada vez melhor pra ti.

As pedras e vitrais da icônica Igreja São Pedro.

Que fica em Gramado na Serra Gaúcha. Construída com pedras basalto em 1942, ela centraliza o burburinho deste agitado centro turístico. Vizinha do Palácio dos Festivais de Cinema, da Rua Coberta, dos restaurantes e das lojas (principalmente as de chocolate), das estátuas dos apóstolos e da Fonte do Amor Eterno, ela se destaca na paisagem. Com um belo cenário serrano de pano de fundo, incluindo uma outra igreja com suas cores características, erguida pelos luteranos na subida de uma colina… Mas em meio a todo este cenário multifacetado, não se pode deixar de apreciar a sua bela essência. Suas paredes de pedra entremeadas com belíssimos vitrais atraem não só os fiéis, como também milhares de turistas com ou sem suas sacolas de compras. Mas com celulares prontos para uma selfie. Como todo o templo religioso, o respeitoso silêncio em horas em que não há celebração, se impõe. O que acaba contaminado o espírito, mesmo dos mais ávidos por cumprir intensos roteiros turísticos. Afinal, o conjunto da obra é de uma beleza singular…

O belo Lago Negro de Gramado

Belo, simbólico e ainda pujante. Este charmoso lugar da agitada cidade da serra gaúcha segue atraindo grandes levas de turistas, encantados com suas belezas. A paisagem do entorno com sua vegetação exuberante, combinada com o bem cuidado passeio ao seu redor, oferecem uma opção gratuita de lazer. Ao menos para aqueles que não querem pedalar em seus barquinhos… Mas ele não é somente uma obra da natureza. Foi o resultado de uma solução criada por Leopoldo Rosenfeld para ajudar a estancar um incêndio que consumiu boa parte da vegetação do seu entorno em 1942. Ao abrir uma fenda no terreno para receber a água de uma vertente para tentar conter o fogo, e trazer mudas de árvores europeias para plantar a redor, criou uma das principais atrações da Serra Gaúcha. Que assim como outros lugares da região recebe milhares de turistas principalmente nos meses de frio. Mas apesar do intenso movimento desta época, o lugar é um convite a um agradável e inspirador passeio…

A saga da imigração germânica

Foi em uma manhã de inverno, mais precisamente no dia 25 de julho de 1824, que 39 imigrantes germânicos finalmente chegaram às margens do Rio dos Sinos, para fundar não somente esta cidade, mas uma verdadeira nação. Corajosos homens e mulheres, que ousaram atravessar o oceano para buscar uma nova vida em mundo diferente, se depararam com um ambiente rústico e muito selvagem. Que foi sendo transformado pelos machados que derrubaram matas virgens, pelo tramar das madeiras para construção das primeiras casas, e pela determinação dos que nunca desistem de seus sonhos. E vieram as plantações, as criações de animais, as igrejas e as escolas. E as novas gerações. Formaram-se as vilas, e as picadas e estradas por onde saíam os frutos da terra, comercializados com os gaúchos e outros colonos. A comida na mesa passou a ser mais farta, alimentando famílias cada vez mais numerosas; e o conhecimento, a disciplina e a criatividade geraram a indústria com suas inevitáveis mudanças. Hoje, a grande saga iniciada há quase dois séculos atrás, ainda está viva nos olho e cabelos claros dos descendentes daqueles pioneiros, nestes novos tempos conectados.  E eles relembram a cada inverno o ponto de partida nas margens do simbólico rio, deixando inclusive devidamente marcada a passagem do primeiro centenário desta epopeia…