O novo ambiente da aniversariante

Por que Porto Alegre tem muitos ambientes. De todos os tipos e cores. Como toda grande cidade aliás. Pois já havia passado da hora de reaproximar as gentes do convívio com o Lago (ou rio?) Guaíba, em um novo e estruturado local. Não que esta convivência tenha um dia terminado, mas andava um pouco distante de muitos dos seus mais de um milhão de moradores e de seus outros tantos visitantes. A nova orla entregue há menos de um ano, é um destes espaços públicos para a cidade se encontrar e por que não, comemorar mais um aniversário. Já são 247 anos de uma comunidade que começou com casais vindos dos Açores, impossibilitados de seguir caminho devido a combates nas missões e em toda a região. E este seu assentamento em terras de Jerônimo de Ornelas, acabou se perpetuando e crescendo com as devidas oficializações. Que resultaram na metrópole pujante neste novo século que recém atingiu sua maioridade. Muito mais que caminhos de aço e concreto em meio à vegetação, bares e arquibancadas para apreciar as águas e por-do-sol, o parque é um convite a se voltar para águas que seguem fazendo parte da história antiga e do cotidiano da atualidade. Mas como sempre ainda se pode mais, e o local ali perto onde hoje estão os armazéns do porto já sem uso, estão no aguardo da sua vez de serem reformados e receberem futuros apreciadores. Para de forma mais completa fazerem jus ao nome de Porto Alegre.

O belo Por-do-sol da capital gaúcha

Que fornece um maravilhoso espetáculo em conjunto com as águas do Guaíba, o grande companheiro de Porto Alegre. E a agitada aniversariante desta semana não para depois de cada esplendoroso entardecer. Nosso patrimônio histórico poderia estar mais preservado é verdade e poderia se ter mais áreas verdes e muito mais museus. Mas muito tem avançado com a dedicação e luta de seus cidadãos. A nova orla com mais conforto para apreciar este símbolo da cidade é o maior exemplo disso. Uma mudança significativa que vai na tendência global de se valorizar cada vez mais as paisagens e fenômenos naturais. Principalmente nos grandes centros urbanos, por vezes já distantes da amplitude das paisagens rurais. O nosso ocaso do astro-rei, dizem ser um dos mais belos do mundo em um ufanismo que muitos talvez duvidem. Mas a cada dia, ser tão somente o melhor que nós já presenciamos, pode ser o suficiente aos que se dedicam tempo a contemplá-lo. Que muitos outros como o destas fotos, possam fazer companhia a uma Porto Alegre que tem muito a mostrar…

A bela Matriz de Garibaldi

A igreja São Pedro no centro desta cidade da serra gaúcha fundada por imigrantes italianos, é considerada uma das mais belas da região. Com seu estilo gótico puro foi erguida após o incêndio da antiga paróquia em 1920. Os esforços para a sua construção por parte da comunidade católica, teve o seu resultado alcançado com a inauguração em 15 de março de 1924. A planta para orientar a obra foi trazida da França e se inspirou na Basílica de Lourdes. Com uma alta torre central dotada de relógio, possui em seu interior belas pinturas e vitrais além de uma estrutura em arcos de concreto que impressionam e encantam. As imagens desta postagem são de 2018, quando o templo passava por restauro. Por isso ainda voltaremos para mostrar mais detalhes desta verdadeira obra de arte. Orgulho não só para a comunidade como para todo o sul… A igreja faz parte do passeio Garibaldi – Cenários de Cinema.

A magnífica vista do Morro da Borússia

Para sentir a paz lá do alto… Fica em Osório este lugar fantástico onde através de uma estrutura bem montada, se tem uma visão total da zona urbana deste município do litoral norte gaúcho e muito mais. As imensas fileiras de esbeltos cataventos, as inúmeras lagoas lado a lado ou mesmo o mar logo ali acompanhado dos agitados balneários, se esparramam abaixo dos pés dos que sobem a asfaltada estrada que leva até lá. Para se ter uma ideia do alcance da visão, a praia marítima de Tramandaí que se enxerga ao longe está a cerca de 19 km de distância. Além do mirante, um restaurante com lojas e um pequeno museu, oferecem um complemento ao passeio. Mas tão somente subir lá e apreciar a paisagem por uns momentos com a devida calma e atenção, além de um pouco de informação que é fornecida em painéis fotográficos, já é uma atividade que alimenta a alma. Em tempos acelerados e agitados de comunicação e outras atividades realizadas nesta tela em que escrevemos estas palavras, é preciso não deixar de apreciar o mundo real com o carinho que merece. Talvez a paisagem não seja movimentada e tão colorida como a simulação de um computador, mas ela é real. Lá embaixo apesar de um pouco distantes estão as vidas que ajudam assim como nós, a construir o que temos ao redor. Ver ou mesmo imaginar o ir e vir das gentes, se não nos traz respostas para as nossas angústias, ao menos pode nos dar o recado que há muito mais ao nosso redor, do que nossas simples telas. E suas vidas, por vezes artificiais…

Cascata dos Amores em Bento

Que fica próxima aos Caminhos de Pedra, um roteiro interessantíssimo sobre o qual falaremos mais, na estrada que liga Bento Gonçalves ao município de Pinto Bandeira. E é da beira da estrada que um mirante convida a uma parada sem presa para admirar a sua beleza. Ela está a cerca de 1.000 metros de distância é verdade, mas a sua inserção no vale combinada com a visão dos prédios de Bento no topo das montanhas, formam um cenário fantástico. Para chegar até a sua base, porém é preciso percorrer trilha longa, e essas imagens por enquanto ficamos devendo. As que colocamos aqui, foram todas captadas deste mirante que tem ao seu lado, pousada e restaurante. É mais uma para a nossa coleção e que além de poder ser visualizada de um local de fácil acesso, está nas proximidades (e por que não inserida) no roteiro dos Caminhos de Pedra com casas antigas, restaurantes e muito mais… O nome dado a queda, não sabemos ao certo sua origem, mas exuberância das belezas não só desta vista como de toda a serra, certamente serviram como inspiração.

A ousadia e liderança de Jacobina

O Morro Ferrabraz em Sapiranga. Local onde Jacobina uniu vários seguidores no século XIX. Não entendemos por que saiu este interessante facho de luz a direita da image…

Uma mulher a frente do seu tempo… Que com seu marido, prometendo remédios e palavras para a cura de colonos germânicos desassistidos pela distância dos grandes centros, começou a fazer sucesso no século XIX na região do Morro Ferrabraz, atual cidade gaúcha de Sapiranga.  As poções elaboradas por este prático da colônia alemã de São Leopoldo, eram acompanhadas das palavras da liderança espiritual de Jacobina Maurer, e seus rompantes de paranormalidade segundo vários relatos. Teatro? Poderes extraordinários? Fanatismo? Força mental? Difícil dizer, não só pela distância do tempo, mas também pela polêmica… O fato é que os seguidores foram aumentando a cada dia, gerando preocupações na ordem vigente. Aos poucos, os que buscavam a cura para algum mal junto ao grupo, eram questionados e confrontados, sobre a eficácia e os métodos alternativos de melhoria física e mental a que se sujeitavam. Incluindo supostas entregas a sedução daquela mulher, a quem muitos já queriam morta. E as divergências foram aumentando sua força, virando farpas e rusgas… E no arrastar dos acontecimentos, lares e amizades começaram a ser desfeitos, com a ida de muitos para residir perto de quem lhes dava esperança. A perda destes fiéis alertou as igrejas católica e luterana, que se juntaram para tomar providências contra este novo, temeroso e misterioso concorrente. Que ousava interpretar as sagradas palavras ao seu modo…  Autoridades foram acionadas, julgamentos foram realizados, mas a força da liderança desta forte mulher sobreviveu. Perseguição? Cuidado e zelo com a ordem? Busca da paz social? Mais uma vez difícil dizer olhando de uma janela com mais de 140 anos… Fato é que o ódio havia crescido e o radicalismo já estava formado. E os cidadãos que antes viviam em uma comunidade isolada, mas pacífica começaram a usar as armas que abatiam o alimento em caçadas, para derrubar o inimigo em confrontos isolados. E antes que a guerra se instaurasse sem controle, tropas imperiais sob o comando do Coronel Genuíno Sampaio foram chamadas para o confronto final, em 1874. Depois de perderem o primeiro embate, voltaram com reforços e terminaram com a festa. Era o fim dos Muckers, nome dado aos seguidores dela, mas também da vida desta carismática líder religiosa, bem como de soldados e de seu comandante. Perderam todos os que tombaram. E os que ficaram ganharam além da vida, a triste, mas relevante história. Que tem muito a nos ensinar… Não só sobre a força das mulheres, mas principalmente como nos tratamos uns aos outros…

O passado como fantasia

Em nossas andanças visitamos mais de 20 museus das variadas etnias que povoaram o Rio Grande do Sul, mas sabemos que há mais. E neles o que se vê essencialmente é um passado que não existe mais ao menos no dia-a-dia corrido. Mas o que já se usou está lá preservado. E entre uma grande diversidade de objetos, muitas vezes nos deparamos com as roupas típicas dos povos do sul. Vestida em manequins, dentro de antigos armários ou simplesmente expostas em suportes simples, elas nos ajudam a imaginar a rotina dos nossos antepassados. Mas por que não mergulhar mais na vida deles? Se sentir como os seus bisavós. Pois seria uma interessante sugestão de fantasia para este dia de carnaval, ou para o do ano que vem. Vivenciar a cultura que molda um povo, é uma forma de se sentir parte dele, valorizando as raízes não só dos que ajudaram a construir o que temos, como a nossa própria história pessoal.