A saga da Vila Operária de Galópolis

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Os tijolos das construções geminadas de singelas casas de Galópolis guardam uma fascinante história de empreendedorismo, vida e trabalho. E que está intimamente ligado com a saga da imigração italiana, neste belíssimo distrito de Caxias do Sul. O então Vale del Profundo não podia receber uma denominação diferente em 1876 quando recebeu um grupo de operários da cidade de Schio, que vieram como outros conterrâneos, fazer a América. Marcada por íngremes paredões de mata nativa, rasgado por um riacho com sua bela cascata, não parecia ser o local mais adequado para o cultivo a terra. O aproveitamento da energia da água, no entanto acabou por ser o impulsionador para o surgimento de uma cooperativa para a produção de tecidos. Afinal, era isso que faziam estes pioneiros, antes de deixar sua nação para trás. E o fizeram pela ousadia de seu forte movimento grevista, que acabou com sua demissão e deportação para o novo continente. O empreendimento em terras sul-americanas cresceu, mas ao longo do tempo acabou por enfrentar dificuldades, levando aqueles outrora contestadores a se desfazerem do controle do negócio.  O novo dono passou então a ser outro italiano de nome Hercules Galló já no princípio do século XX, que se estabeleceu no local que no futuro levaria seu nome. Com início solitário, acabou também buscando mais recursos com a posterior sociedade com a firma Chaves e Almeida de Porto Alegre a partir de 1920. Foi então que começam a surgir às dificuldades para contratação de pessoal de outros locais, levando a ideia da construção de moradias para receber os novos funcionários. Inicialmente de madeira, as casas dispostas ao redor de um campo central, onde depois foi erguida a igreja, abrigavam os operários e suas famílias que faziam da empresa uma extensão de suas vidas. Pois eram do empreendimento de Galló e companhia, que saiam iniciativas sociais, como festas comunitárias e outros entretenimentos.  A chegada de profissionais mais gabaritados e exigentes, porém é um dos prováveis motivos da adoção dos tijolos, na construção dos prédios que até hoje estão de pé. A inspiração do seu formato remete às vilas inglesas que vieram a reboque da revolução industrial do século XIX. Modelo que já era utilizado inclusive na Schio dos grevistas. A influência do estilo dominante até então na colônia italiana, também deixou sua marca fazendo uma fusão entre estas duas culturas europeias. A empresa com passar dos anos, voltou a ser uma cooperativa, como nos pioneiros tempos daqueles intrépidos imigrantes grevistas, mas as casas seguem lá como testemunhas vivas da história desta gente. Que no passado alugavam simbolicamente de seus patrões, e hoje são donos do que acabou por ser tombado pelo patrimônio histórico. Presenteando o sul com mais este interessante legado, que ajuda a contar um pouco da eterna busca humana pela dignidade e prosperidade.

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