Uma história de conflito entre índios e colonos na Serra Gaúcha do Século XIX

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Foi aos pés da Serra Gaúcha, mas precisamente na região onde hoje está a bela São Vendelino, que uma história com capítulos trágicos, marcou os primeiros anos da colonização germânica. Foi em 1868 que a mulher e dois filhos do colono Lamberto Versteg, de origem holandesa em meio aos alemães, foram sequestradas por índios kaigangues que viviam nas matas ainda não ocupadas por imigrantes italianos… Afinal, esta importante corrente migratória se intensificou a partir da chegada dos pioneiros, em 1875 em Nova Milano. Inclusive existe preservada ali nas proximidades do Rio Forromeco ( e perto de São Vendelino), sua primeira capela em homenagem a Santo Antão Abade, em comunidade que pertence ao município de Carlos Barbosa. E o principal suspeito de ter articulado esta ousada operação indígena, era conhecido como Luis Bugre, por nascer em meio a estes sul-americanos originários, chamados pelos colonos de bugres. E sua história fantástica história começa com uma incursão de sua tribo em plantações de colonos alemães na então Picada Feliz, às margens do Rio Caí onde hoje é o município que carrega apenas o segundo nome. Após o alerta dado por uma corda que acionava uma lata barulhenta, o proprietário da plantação acordou e, seguindo o combinado com os vizinhos que se ajudavam nestas ações, saiu atirando contra o grupo que pilhava um milharal. A fuga dos ameríndios deixou, ferido para trás um jovem de 11 anos, que passa então a ser criado por um colono de origem luso-brasileira, em meio uma comunidade germânica… Com o passar dos anos, o sangue falou mais alto e esse menino então batizado com Luis Antônio Fonseca, volta a se relacionar com sua tribo e talvez construir uma relação mais pacífica entre estas duas etnias… Até o dia em que uma crítica de Lamberto Versteg teria chegado seus ouvidos, causando sua ira. Sabendo da ausência deste patriarca da sua casa para passar uns de dias fora, Luis Bugre visita a propriedade para demonstrar amizade a mulher e os filhos, indicando o uso de uma bandeira branca para afastar eventuais saques dos kaigangues… Mas na realidade foi um sinal para o sequestro e a convivência desta família por alguns anos em meio aos índios. A história a partir daí foi inclusive tema de um livro reescrito por um descendente de Jacob Versteg (filho de Lamberto com 14 anos a época do sequestro) a partir do relato deste a um padre no começo do século XX. Isto porque Jacob foi o único que sobreviveu a uma tentativa de fuga do domínio da tribo, que acabou matando a irmã e a mãe. O já jovem, depois de inúmeras experiências vividas na tribo, caminha longos quilômetros até ser acolhido por um escravo de um fazendeiro brasileiro dos campos de cima da serra. Sua história e o reencontro com seu pai em São Leopoldo, se deu somente após um tropeiro que passava pela região, e que falava alemão, conhecer a sua versão da história. Que já corria por toda a colônia… Pai e filho voltaram a viver juntos por um tempo, até Jacob se casar e viver em Desvio Blauth, distrito de origem germânica na cidade de origem italiana de Farroupilha. É lá que o casal está enterrado comprovando de certa forma sua existência… Já Luis Bugre teria se casado com uma imigrante italiana e inclusive se apresentado como também vindo da Europa as autoridades, para receber um lote em 1876. Sua morte ao se afogar onde hoje é o município de Poço das Antas, levanta dúvidas sobre a veracidade, pois era sabido que os índios eram hábeis nadadores… Uma história incrível que tem muito mais detalhes a serem mostrados e contados… Um verdadeiro choque de civilizações envolvendo sul-americanos originários (ou ameríndios) e descendentes de europeus de Portugal, fundadores do Brasil; europeus vindos da Alemanha, da Itália e de Holanda; e africanos que imigraram forçadamente na condição de escravos… Uma saga que tem muito a dizer sobre o elemento humano…

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